Trabalhadores demitidos da Casas Bahia realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira, 4, no calçadão da Rua João Pessoa, no Centro de Aracaju.
A reportagem do Jornal da Fan acompanhou o ato. Alfredo Souza, presidente do Sindicato dos Comerciários de Nossa Senhora do Socorro, explicou que o protesto aconteceu devido a ausência de direitos trabalhistas após o fechamento das lojas e demissões em massa.
“Até hoje [os demitidos] não receberam suas rescisões. A empresa usou de má-fé. Temos trabalhadores que ficaram 10, 12 anos, e foram para rua, nem aviso prévio recebeu. Ai eu pergunto: essa loja faliu? Não ter dinheiro para pagar trabalhador a gente entende, é a crise, mas não é o caso da Casas Bahia. Se você olhar números dela, eles estão vendendo bilhões, faturam bilhões. É uma estratégia para diminuir os custos às custas dos trabalhadores. É de causar revolta. O trabalhador trabalha até dizendo dez anos em uma empresa, veste a camisa, enriquecer os proprietários, que no final vai para a rua. Quer saber por quê? Vai embora. E agora já alega hoje que não pode pagar porque entrou em recuperação judicial”, declarou.
Alexsandra Batista trabalhava na loja de um dos shoppings da capital sergipana e explicou como foi o processo de demissão. Ela alega que não recebeu nenhum valor desde então.
“Chamaram a gente pra uma reunião e aí quando a gente chegou lá, todo mundo foi comunicado de uma vez só que estava fechando a loja, tava todo mundo sem trabalho. Então assim, todo mundo ficou sem saber o que fazer. Muitos de nós tinham usado o FGTS, o saque-aniversário, Então a gente não teve como sacar o FGTS E resumindo, o que sobrou para a gente foi seguro desse emprego, porque a rescisão tá presa, a Casa Bahia não pagou um real a ninguém. A rescisão de todo mundo tá presa e a gente tá aqui só querendo o que é nosso, os nossos direitos trabalhistas E mais de nada”, expressou.
Relembre
O Grupo Casas Bahia encerrou as atividades em 298 lojas do Brasil, incluindo Sergipe. A medida resultou na demissão de cerca de 1,9 mil funcionários da companhia. Somente no município de Nossa Senhora do Socorro, região metropolitana da capital, 35 comerciários foram afetados pelo fechamento da loja situada no Shopping Prêmio, que encerrou as atividades na última sexta-feira, 14.
A Casas Bahia anunciou que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida tem como objetivo reorganizar as finanças da empresa, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.
Além de Socorro, algumas das unidades que tiveram suas atividades encerradas em Sergipe foram: as lojas dos Shoppings Jardins e Riomar, em Aracaju, e a loja localizada no Centro do município de Lagarto.








