Servidores públicos da Prefeitura de Aracaju denunciaram na manhã desta quarta-feira, 26, a falta de definição sobre a renovação do convênio entre o município e o Instituto de Promoção e Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde).
Em entrevista ao Jornal da Fan, o diretor do Sindicato dos Agentes de Saúde e Endemias do Município de Aracaju (SACEMA), Carlos Augusto, afirmou que o impasse envolve cerca de 10 mil usuários, que podem ficar sem assistência caso o convênio não seja renovado até esta sexta-feira, 28.
Segundo o diretor, a situação iniciou ainda na gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira, quando não eram realizados integralmente os descontos na remuneração dos servidores para posteriormente serem repassados ao convênio, o que teria acumulado em uma dívida de aproximadamente R$ 14 milhões com o Ipesaúde.
De acordo com o sindicato, o desconto era realizado apenas sobre a remuneração básica. Em valores referentes a gratificações, como décimo terceiro salário e férias, o repasse não teria sido efetuado.
“Parte dessa dívida deveria ter sido descontada na remuneração do servidor mês a mês, e a outra parte é a contribuição do município, do ente federativo, do município para o Ipes. Não houve nem uma parte, nem outra. A Prefeitura de Aracaju diz que consegue pagar a parte dela, em torno de R$ 7 ou 8 milhões. Mas a outra parte, a Prefeitura não quer pagar, ou não se coloca para pagamento”, explicou.
O diretor destacou que essa dívida não foi comunicada previamente aos funcionários.
“Se essa dívida vier para o servidor, o servidor não vai pagar, não tem como pagar. Não tem como dividir R$ 7 milhões para 3 mil pessoas, não tem como. Então, se for para pagar, o servidor com certeza irá sair do Ipes. O Ipes perderia 10 mil vidas, e essas 10 mil vidas iriam automaticamente para o SUS, que já está acarretado, sobrecarregado. Então não é bom para ninguém que isso aconteça”, declarou.
De acordo com o diretor, os servidores já enfrentam restrições no atendimento pelo convênio médico em razão do impasse. Diante da situação, o sindicato fez um apelo por uma reunião entre representantes da Prefeitura de Aracaju e do Governo do Estado para buscar uma solução.
“Estamos ligando, buscando o secretariado, para que a gente consiga sentar ainda hoje para que até sexta-feira já tenha uma resolução definitiva, ou de prorrogação, ou de pagamento. O fato é que o servidor não tem como pagar essa dívida. É muito dinheiro para pouco servidor. Não tem como. Se vier essa dívida para o servidor, o servidor vai preferir sair do Ipes. Então, não é bom para ninguém. E não pode ficar desassistido. São 10 mil vidas que vão ficar desassistidas”, concluiu.








