Por Narcizo Machado
Colaboração – Raphaella Teles
Não! Até que se prove o contrário, Emília Corrêa não pode receber o carimbo de “prefeita corrupta”. Longe disso. Porém, ninguém está acima de qualquer suspeita, nem muito menos imune a questionamentos.
A decisão do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE), que suspendeu a continuidade dos pagamentos e de novos procedimentos administrativos relacionados à compra dos ônibus elétricos pela Prefeitura de Aracaju, ainda não definiu culpados, mas acendeu o alerta para possíveis erros ou ilegalidades.
O que está em jogo, segundo o conselheiro relator Flávio Conceição, é um possível sobrepreço de até R$ 850 mil por unidade de ônibus comprada. Ele aponta, ainda, que existe fragilidade na justificativa técnica para adesão à ata de compra da Prefeitura de Belém do Pará e cita cláusulas restritivas que limitaram a concorrência.
A prefeita Emília Corrêa, por sua vez, diz que tudo é legal e legítimo. E afirma, de forma açodada, que existe uma “estrutura montada” para destruí-la politicamente. Eis que nasce, então, a narrativa da perseguição.
Em vez de rebater ponto a ponto os argumentos do relator com documentos, como faria qualquer gestor público que respeita o papel de um órgão de fiscalização, Emília escolheu o confronto. De forma direta, disparou contra a credibilidade do TCE-SE, quando deixou no ar as dúvidas sobre as intenções da fiscalização. Não é a primeira vez que Emília usa a narrativa de uma engrenagem conspiratória cujo objetivo seria torná-la inelegível.
Estratégia muito parecida com a de Bolsonaro.
Houve ou não superfaturamento? Essa é a resposta que importa.
A postura de Emília soou contraditória. Durante anos, Emília Corrêa atuou como defensora pública. Acusou, contestou, apontou injustiças. Com firmeza, fez da lei seu legado. Agora, ao ser cobrada por um contrato milionário, recorre a um discurso frágil, de tentar descredibilizar as instituições.
O momento exige mais técnica: uma apresentação minuciosa dos motivos que a levaram a escolher os ônibus que foram comprados. Lembrando que, como relevamos em junho, em Belém houve suspeitas em torno da compra dos ônibus elétricos e ajustes por parte da empresa contratada para “indenizar” os cofres da cidade.
Emília preferiu o papel de vítima. Escolheu a retórica da injustiça, do complô. Com isso, tensionou ainda mais o ambiente institucional. Não é crime errar. Não é perseguição cobrar. Se não houve dolo, que se prove. Se há exagero do TCE, que se demonstre. Mas que se faça com provas, e não com frases de efeito.
NOTAS DA SEMANA
Reação nos bastidores
A decisão do TCE-SE gerou inquietação não só na Prefeitura de Aracaju, mas também nos grupos políticos que orbitam a gestão. Há aliados que avaliam que o tom adotado por Emília Corrêa foi exagerado e que a prefeita não deveria criar animosidade com um órgão de fiscalização com tão pouco tempo de gestão.
Reação nos bastidores II
Segundo uma fonte ligada a Emília, a prefeita teria se mostrado incomodada com o “silêncio ensurdecedor” de aliados. Até aqui, poucos saíram em sua defesa publicamente. Na prática, é como se cada um quisesse ver onde o vendaval vai bater antes de oferecer abrigo.
Silêncio do Consórcio
O Consórcio de Transportes da Grande Aracaju deveria estar no centro da explicação sobre toda essa polêmica, mas o órgão praticamente sumiu da cena. A suspensão da concorrência pública, sem deliberação da assembleia do consórcio, foi um dos motivos que levou o TCE a aplicar uma das cautelares. Ninguém fala.
Silêncio do Consórcio II
Prefeitos dos municípios consorciados deveriam dar entrevistas; os indicados para a estrutura técnica parecem não ter ainda assumido seus papéis. Toda essa realidade se mostra desconfortável. Em off, um desses personagens foi direto: “Não fomos ouvidos.”
Quem lucrou com a ata?
Por que a ata de Belém foi escolhida? Quem são os reais beneficiários comerciais da aquisição? São perguntas que uma investigação minuciosa deverá responder. A empresa fornecedora dos ônibus já esteve no centro de debates semelhantes. E não são poucas as ligações entre consultores do setor e os bastidores de governos. Os documentos exigidos pelo TCE poderão revelar mais do que apenas preços? O tempo dirá…
Alerta de aliados
Um vereador ligado à base da prefeita confidenciou: “Não se compra briga com o TCE.” A preocupação escancara o risco político da prefeita no momento mais sensível do seu mandato. Serão ainda três anos e meio de atuação do TCE-SE nas fiscalizações da gestão de Emília. É bom lembrar disso…
Tornar inelegível
A prefeita voltou a ser contundente neste sábado e reiterou, em sua live, que existe uma engenharia montada para torná-la inelegível. Emília reafirmou ao vivo, na manhã de sábado, durante a transmissão, e depois fez recorte da fala e voltou a publicar. “Enquanto não tornarem a prefeita Emília inelegível, não vão parar”, disse ela. A tática da vitimização me parece que será a tônica de toda a gestão.
É verdade o que disse Emília
A prefeita não se limitou ao jogo de retórica. Também fez provocações e afirmações que são pura realidade. Entre elas, a de que houve, sim, uma certa negligência por parte dos órgãos de fiscalização nos últimos anos, o que permitiu que se arrastassem, por tempo demais, a ausência de licitação e a má qualidade do transporte público.
E agora?
A resposta é clara e direta: nada. Mesmo sem uma determinação expressa do TCE para retirada, os ônibus estão fora de circulação. A Prefeitura promete enviar a documentação exigida e, até a decisão final, seguimos no jogo das retóricas. Cada lado apresenta sua versão conforme lhe convém, enquanto o povo, atônito e sem domínio técnico, mal compreende o que de fato está acontecendo.
Contra as melhorias?
Parte da narrativa da prefeita Emília Corrêa foi direcionada a levantar a suspeita de que quem critica a compra dos ônibus elétricos é contrário aos avanços na melhoria do transporte público. No entanto, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ter boa intenção não coloca ninguém acima de qualquer suspeita, nem torna alguém imune a erros ou irregularidades.
Errou no tom
Definitivamente, o governador Fábio Mitidieri precisa passar por um treinamento de media training antes de encarar os microfones da Itabaiana TV. Primeiro, foi a infeliz resposta sobre a falta de água, quando ofereceu um banheiro ao repórter. Agora, o novo episódio envolve a declaração sobre o jovem Lucas Gabriel, que faleceu vítima de câncer. A família responsabiliza a falta de medicação, essencial para o tratamento, que precisou ser interrompido.
Errou no tom II
A resposta de Fábio, dizendo que iria se informar sobre o caso e se solidarizando de forma breve com a família, pegou muito mal e está viralizando nas redes sociais. É aquela máxima: qualquer vida importa. E, para a família, Lucas era a vida. Sendo assim, de nada adianta apresentar números e investimentos. O que realmente importa é que, na visão deles, o Estado falhou com a vida de Lucas.
Errou no tom III
O caso de Lucas repercute desde o início da semana, com a família utilizando a imprensa para denunciar e criticar a gestão de Fábio Mitidieri. Por isso, a resposta do governador, alegando desconhecimento, ganhou ainda mais contornos negativos. Para quem tem acompanhado a polêmica, já teria havido tempo suficiente para que ele se informasse e estivesse preparado para responder a eventuais questionamentos.
Fábio quase com Marcos
O governador Fábio Mitidieri iniciou um diálogo político com o grupo de Marcos Santana, na cidade de São Cristóvão. O diálogo foi intermediado pelo presidente do União Brasil, ex-deputado André Moura.
Fábio quase com Marcos II
Na última sexta-feira, Fábio esteve em São Cristóvão para a reinauguração do Museu Histórico de Sergipe. O clima entre ele, o prefeito Júlio Júnior, o ex-prefeito Marcos Santana e o deputado estadual Paulo Júnior era de muita integração e simpatia. Se fechar, será o maior acerto político de Fábio na Grande Aracaju.
Despachar em São Cristóvão
Fábio anunciou, ao lado do prefeito e do ex-prefeito, que uma vez ao mês irá despachar na sede do Museu Histórico de São Cristóvão. Valorização da cultura e da história da Cidade Mãe.
Atuando em silêncio
De forma discreta, o pré-candidato ao Senado, Edvaldo Nogueira (PDT), tem mantido uma agenda intensa de compromissos e visitas pelo interior do estado. Nos últimos dias, esteve em Estância, Tobias Barreto, Lagarto e Simão Dias, onde se reuniu com lideranças políticas, concedeu entrevistas e participou de eventos locais. Apesar do tom moderado e da ausência de grandes declarações públicas, Edvaldo segue pontuando bem nas pesquisas, consolidando-se como um nome competitivo na disputa por uma vaga ao Senado em 2026.
Política ambiental fortalecida
Nesta semana, em celebração ao Dia Mundial dos Manguezais, a Prefeitura de Aracaju realizou o plantio inédito de 100 mudas de mangue-vermelho no bairro Lamarão. Pela primeira vez, as mudas foram produzidas no próprio Horto Municipal. Na ocasião, a prefeita Emília reforçou que o cuidado com a natureza é uma das prioridades do seu governo.
Engajamento e cuidado
Sob a liderança da secretária Emília Golzio, a Sema vem ampliando ações de sustentabilidade, com a conscientização da população sobre as práticas de cuidado com os recursos naturais em Aracaju. No mês de julho, a intensificação das ações de arborização urbana resultou no plantio de 320 mudas de árvores.
Marco na educação
Nesta semana, a prefeita Emília Corrêa empossou 175 professores aprovados no concurso público da Secretaria Municipal da Educação (Semed), que foi realizado ainda na gestão de Edvaldo Nogueira. O ato consolidou a maior convocação da história da educação da cidade. No total, o concurso ofereceu 425 vagas, e as demais convocações devem acontecer em breve.
Maturidade política
Os últimos dias foram de demonstrações de maturidade política do governador Fábio Mitidieri. Na quinta-feira, 31, esteve ao lado do prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, na inauguração da unidade do Atakarejo no município. No evento, o próprio Mitidieri ressaltou a necessidade dessa maturidade política em prol do desenvolvimento de Sergipe, levando investimentos a todos os municípios.
Câmara e Alese retomam
A Câmara de Vereadores de Aracaju e a Assembleia Legislativa retomam suas atividades esta semana. Na Câmara, a expectativa é maior diante da denúncia do TCE quanto aos ônibus elétricos. Será que os vereadores irão também abrir espaço?
Rogério e a laranja
Após a ida aos Estados Unidos e o anúncio de Donald Trump sobre a retirada do suco de laranja da lista de produtos taxados, o senador Rogério Carvalho causou polêmica nas redes sociais. O petista tentou puxar para si o crédito político pela medida que, de fato, salvou muitos produtores sergipanos. Mas, para muitos, a atitude soou como exagero e presunção.
Boa conduta da Agência
A atuação da Agência de Desenvolvimento de Sergipe, sob o comando de Milton Andrade, foi muito positiva. Com técnica e proatividade, a equipe abriu diálogo com os produtores, apresentando caminhos para minimizar os possíveis prejuízos da taxação que estava sendo anunciada. Que continue assim, mostrando que tem utilidade e que política pública séria se faz com planejamento e escuta.
Respondeu a Rodrigo
O senador Alessandro Vieira respondeu ao deputado federal Rodrigo Valadares de forma veemente, sem perder o tom, mesmo após ser chamado de “cachorrinha”. Segundo Alessandro, Rodrigo recorre à violência verbal por não ter resultados a apresentar. E provocou: onde estão as emendas do deputado?
Não vota em André
Alessandro disse, ainda durante entrevista ao Jornal da Fan, que já sugeriu a Fábio Mitidieri uma reunião para tratar sobre 2026, com a presença de André Moura. Alessandro reiterou que não vota em André, mesmo que seja ele o escolhido por Fábio para dividir o palanque com o ex-deputado. Fábio tem aí uma “batata quente”. Palanque dividido não ajuda em campanhas difíceis como será a de 2026.
Impeachment de Xandão
O portal Poder360 publicou matéria informando o posicionamento dos senadores quanto a um possível impedimento do ministro Alexandre de Moraes. Alessandro Vieira aparece na lista como favorável, Rogério Carvalho como contra e Laércio Oliveira como indefinido.
Não foram consultados
Os senadores Alessandro Vieira e Rogério Carvalho não foram consultados para a matéria. “Não fui consultado. Mas a minha posição favorável ao impedimento do ministro Alexandre é notória desde 2019”, disse Alessandro. Já Rogério se limitou a negar a consulta: “Não fui consultado. Assim como eu, os outros também não foram consultados”, explicou.








