Lula x Bolsonaro na disputa pelo Senado em 2026 e a “dor de cabeça” de Fábio Mitidieri

As articulações políticas estão cada vez mais prematuras. 2026 já chegou — e com ele, o desenho para 2030. Nessa projeção da eleição de 2030, quem conquistar uma vaga no Senado passa também a ser um nome natural na disputa pela sucessão de Mitidieri. A eleição para o Senado em 2026 tende a ser uma das mais disputadas — talvez não pelo número de candidatos, mas pela relevância dos nomes cotados.

Há quem aposte que a polarização Lula x Bolsonaro irá impactar diretamente a disputa pelo Senado em 2026. Mas o eleitor sergipano está politizado a ponto de questões ideológicas serem definidoras de vitórias eleitorais? Tenho dúvidas.

É claro que os candidatos do PT e do PL largam com um eleitorado consolidado e, por isso, possuem uma margem de segurança na disputa. Porém, precisarão contar com outros fatores para atrair o eleitorado não apaixonado por Lula ou Bolsonaro — ou ainda não definido ideologicamente como de direita ou esquerda.

Olhando para a história eleitoral de Sergipe, é fundamental observar que há sempre uma variação nos resultados para o Senado. O eleitorado sergipano não segue uma linha única de comportamento, como, por exemplo, eleger sempre os aliados do governo de plantão.

Em 1974, Gilvan Rocha foi eleito pelo MDB, derrotando o poderoso Leandro Maciel da Arena. Já em 1978, a Arena retomou força e elegeu Passos Porto, numa vitória de apenas 12 mil votos sobre o mdebista José Carlos Teixeira.

Em 1982, vitória esmagadora do governista Albano Franco, com pouco mais de 76% dos votos. No pleito seguinte, em 1986, o eleitor distribuiu as duas vagas: uma para a situação, com a eleição de Lourival Batista, e outra para a oposição, com Francisco Rollemberg.

Em 1990, Albano Franco se reelegeu com folga. Em 1994, as vagas foram para a oposição, que elegeu Valadares e Eduardo Dutra. Em 1998, num claro protesto, o povo elegeu Maria do Carmo, novamente a oposição vencendo. O sergipano reprovou a aliança de Jackson Barreto com Albano.

Em 2002, deu oposição mais uma vez, mas em um contexto no qual o governador Albano Franco, de certa forma, “lavou as mãos” para o pleito. Os dois candidatos ao governo que foram ao segundo turno — João Alves e Eduardo Dutra — acabaram cada um elegendo um senador: João, com Almeida Lima; Dutra, com Valadares reeleito.

A situação perdeu o governo em 2006 com a vitória de Marcelo Déda, mas conseguiu manter a vaga no Senado com a reeleição de Maria do Carmo. Em 2010, com Déda reeleito, a situação dominou: Valadares se reelegeu, e surgiu um fenômeno eleitoral à época — Eduardo Amorim, que obteve quase 100 mil votos a mais que o próprio Déda. Saiu do pleito como favorito à sucessão petista.

Em 2014, vitória da oposição novamente, com Maria do Carmo. Em 2018, uma vaga para cada lado: Rogério Carvalho (situação) e Alessandro Vieira, um fenômeno eleito por uma das oposições, em sua primeira disputa. Em 2022, venceu a situação com Laércio Oliveira.

Cada eleição traz uma nova história. Não há linha tênue. Para 2026, ainda não sabemos quem serão os nomes da situação ou da oposição. Muitas certezas residem apenas nas naturais especulações.

Alessandro Vieira e Rogério Carvalho querem a reeleição. Ambos têm projeção nacional. Rogério é hoje líder do PT no Senado e compôs a Mesa Diretora por quatro anos. É considerado um bom articulador, um “trator eleitoral”, segundo o meio político. Se superar a disputa interna do PT contra Márcio Macedo, prevista para julho, será o candidato natural da legenda — e virá como “o candidato de Lula”, uma candidatura que mistura ideologia e articulações de emendas.

O delegado Alessandro Vieira, que nos primeiros anos de mandato foi mal avaliado por setores da sociedade, conseguiu uma guinada nos últimos dois anos. Tem fechado apoios importantes com prefeitos. “Deixou de ser delegado e virou político”, dizem nos bastidores. Já tem apoio da Barra e de Socorro na Grande Aracaju; em São Cristóvão, tem respaldo de setores da oposição; em Aracaju, se aproxima de Emília Corrêa. Hoje, seu nome é considerado forte no jogo político.

Rodrigo Valadares tem o apoio direto de Bolsonaro. É o “senador do mito”. O ex-presidente tem feito reiteradas declarações em seu favor. Rodrigo é hoje o deputado federal sergipano com maior projeção nacional, e ganhará ainda mais visibilidade por ser relator do projeto que busca anistiar os envolvidos no 8 de janeiro. Se for o único nome do bolsonarismo radical, leva boa vantagem. Seu desafio será ampliar o discurso, pois ainda é criticado por dar mais atenção a Bolsonaro do que aos assuntos de Sergipe.

O ex-senador Eduardo Amorim não confirma, mas também não descarta a candidatura. É incentivado pelo grupo que hoje comanda Aracaju com Emília Corrêa. Tem boa imagem pelos mandatos que exerceu, mas carrega o peso de três derrotas seguidas: 2014, 2018 e 2022.

A capital Aracaju, historicamente definidora em eleições para o Senado, deve mais uma vez cumprir esse papel. E um de seus ex-prefeitos, Edvaldo Nogueira, aparece bem nas pesquisas e é bem avaliado, tanto na capital quanto entre o eleitorado mais consciente do interior. Em 2022, liderava os levantamentos. Parte do agrupamento governista, porém, resiste ao seu nome na chapa majoritária. Se estiver nela, amplia sua capilaridade. Fora dela, poderá lançar uma candidatura independente?

Ainda tem mais nomes. O líder André Moura não pensa em outra coisa que não seja sua candidatura ao Senado. Aprendeu com os erros de 2018, quando, mesmo com apoio da maioria dos prefeitos, perdeu a eleição. Tem circulado o interior, encomendado pesquisas e, nos próximos dias, deve se reunir com o governador Fábio Mitidieri. A tendência é ressuscitar o movimento “AM e FM” — André e Fábio Mitidieri —, mostrando sintonia e consolidando Moura como nome do grupo governista. Vem mais forte que em 2018. Seu partido foi o segundo com mais prefeituras em 2024.

Corre ainda a possibilidade de Valmir de Francisquinho deixar o PL e lançar Adailton Souza, ex-prefeito, como seu candidato. Teria força no Agreste. Talvez sem grandes chances, mas capaz de disputar o voto bolsonarista.

O ministro Márcio Macedo também é um nome em potencial, embora precise primeiro vencer a disputa interna do PT. Desde 2024, tem se destacado pela articulação de recursos para o governo estadual e prefeituras. Melhorou muito sua imagem. O cargo que disputar, disputará com força.

Com tantos nomes e possibilidades, quem tem a principal dor de cabeça é o governador Fábio Mitidieri. Só do seu agrupamento, há três pré-candidatos: André Moura, Edvaldo Nogueira e Alessandro Vieira. Ainda há quem defenda reaproximação com o PT — com Rogério ou Márcio. Próximos a Mitidieri dizem que, se as eleições fossem hoje, a chapa teria Moura e Vieira como candidatos ao Senado. A decisão de Fábio pode empurrar nomes para a oposição — ou para candidaturas independentes.

É ou não o pleito mais disputado para o Senado de todos os tempos? Quer dizer… poderá ser. É bom lembrar que estamos falando de política partidária.

NOTAS DA SEMANA

Nova pesquisa

O Instituto Global realizou pesquisa entre os dias 25 e 27 de março, com amostra de 1065 eleitores e margem de erro de 3%. No levantamento, o cenário da disputa das duas vagas para o Senado se mostra efetivamente uma incógnita.

Nova pesquisa II

Os principais nomes citados nesta Domingueira foram testados e estão todos empatados tecnicamente. Rogério, Alessandro na frente, seguidos de Rodrigo, Edvaldo e André. Todos com pequenas diferenças, menores até que a margem de erro.

Nova pesquisa III

A novidade na pesquisa Global para o Senado foi a boa posição do deputado federal Fábio Reis, que aparece na quinta colocação à frente de André Moura por 0,2%. Fábio nunca colocou seu nome para disputa e é candidato a deputado federal com reeleição à vista.

Nova pesquisa IV

Para o governo, Fábio Mitidieri lidera com vantagem sobre Valmir de Francisquinho, e a diferença aumenta mais ainda quando o nome da oposição é o do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques. O que chama atenção é que o advogado Emanuel Cacho, que nem partido tem ainda, mas recentemente lançou seu nome e pontua em todos os cenários.

Segundo maior salário

Sergipe comemora o segundo maior salário médio de admissão do Brasil em fevereiro, com R$ 2.304,52, um aumento de 21% em relação ao mês anterior, ficando atrás apenas de São Paulo. Nessa pegada de impulsionar a economia, o Governo de Sergipe lançou a plataforma “GO Sergipe”.

GO Sergipe

A descrição da sigla do programa é “Geração de Oportunidades”, portanto ‘GO Sergipe’. O programa conecta trabalhadores e empregadores, e oferece cursos de qualificação e espaço para empreendedores. São mais de 700 vagas já cadastradas. A autoria é da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo, leia-se Jorge Teles ou o velho conhecido Jorge Estratégia.

Continuidade do Opera

O programa Opera Sergipe – fase 2, do Governo do Estado, está em pleno andamento. Desde seu lançamento, no dia 8 deste mês, diversos pacientes foram encaminhados para consultas, exames pré-operatórios e, principalmente, para cirurgias aguardadas, como as de endometriose, bariátrica e redução de mama.

Antecipação da restituição

Os clientes do Banese já podem antecipar até 80% da restituição do Imposto de Renda 2025, referente ao ano-base 2024, por meio da linha de crédito oferecida pelo banco. As contratações podem ser feitas através do aplicativo, nas agências ou nos correspondentes bancários Banese em todo o estado. Além disso, valores de até R$ 4.900 também podem ser antecipados diretamente nos caixas eletrônicos do banco.

Márcio vice?

Acho que até nos melhores sonhos do ministro Márcio Macedo não apareceram a viagem lunática de que ele possa ser o vice de Fábio Mitidieri em 2026. Essa conjectura é mais que mera especulação. É fazer de uma brincadeira, um fato. Piadas não são declarações, e mesmo na política é possível fazer graça.

Parceria por Sergipe

Márcio Macedo e Fábio Mitidieri estabeleceram uma relação que é exitosa para nosso estado. Só esta semana dois ministros estiveram por aqui. Rui Costa da Casa Civil, para tratar das obras do PAC e o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, para inaugurar a nova sede da Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura em Sergipe.

Parceria por Sergipe II

Isso vai além das questões políticas, que podem ou não se concretizar em 2026. Isso é maturidade política. Claro, todos querem os louros e o reconhecimento público. E que bom seria que todos tivessem essa mesma preocupação de mostrar unidade – quando o interesse público exige – mesmo não tendo aliança política.

Gesto de Rui com Emília

O gesto do ministro da Casa Civil, Rui Costa, durante evento no dia 27 de março, reforçou ainda mais a influência de Emília Corrêa como principal liderança feminina da política sergipana. A prefeita de Aracaju, que é a primeira mulher a governar a capital e uma das maiores figuras políticas do estado, inicialmente estava posicionada entre o secretário estadual da Casa Civil e a presidente da FAMES, Silvany Mamlak. Ao chegar, Rui Costa fez questão de chamá-la para se sentar ao seu lado, o que foi prontamente ajustado pelo cerimonial. A mudança de assento não foi apenas um ajuste de protocolo, mas um claro reconhecimento do prestígio e relevância política de Emília.

Ricardo minimiza possível crise

Questionado pela Domingueira sobre as postagens que apontam um certo desprestígio junto a prefeita Emília Corrêa, o vice Ricardo Marques minimizou os fatos. “A reforma administrativa enviada à Câmara Municipal já foi aprovada e a soberania da Câmara foi respeitada. Agora é hora de seguir em frente, focados no que realmente importa: a gestão de Aracaju” disse ele.

Ricardo rechaça rompimento

Sobre possível rompimento com Emília, Ricardo joga “pá de cal” na possibilidade. “Minha amizade e parceria com a prefeita Emília Corrêa são sólidas e baseadas no respeito e no desejo de fazer o melhor por Aracaju. Juntos, seguimos com a missão de garantir uma gestão justa, transparente e eficiente para todos”.

Superação de divergência

Há um trecho da posição de Ricardo Marques em que o vice-prefeito deixa claro sua discordância com as mudanças. “Vamos seguir em frente, superando qualquer divergência, com o foco em melhorar a vida da população.” Sigamos e esperemos as cenas dos próximos capítulos.

Emília tem vice fiel

Com protagonismo na Câmara de Vereadores e reeleição garantida, Ricardo Marques optou em ser vice de Emília Corrêa. Venceram as eleições e ele, no conforto da função de vice-prefeito, poderia ter optado em ficar “livre” mostrando à gestão os erros. Não foi a postura dele.

Emília tem vice fiel II

Ao invés de liberdade e atuação para reclamação e solução de problemas, quase que um “vereador virtual”, Ricardo optou em gerir a Comunicação, atendendo a convite da prefeita. Aracaju já viu vices que foram excluídos, mas vice chamado para o embate e sem recuar, pensando em seu projeto pessoal, é a primeira vez.

Edvaldo na corrida

O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, participou ao lado da esposa Danusa Silva, da tradicional Corrida Cidade de Aracaju. Edvaldo não conseguiu completar os 5km a que se propôs sem interrupção. A todo momento ele era parado por cidadãos e cidadãs que externavam a posição de fãs de seu trabalho no comando da PMA. Pelas postagens nas redes sociais, Edvaldo teve noite de gozo e alegria.

Rodrigo e Eduardo

Numa demonstração de parceria e maturidade política, os dois prováveis nomes do PL na disputa pelo Senado em 2026, Rodrigo Valadares e Eduardo Amorim, estiveram juntos neste sábado para enterrar de vez as especulações de disputa pelo comando da agremiação. Ambos declararam respeito e amizade.

Rodrigo e Eduardo II

O deputado federal e o ex-senador ainda decantaram para a coluna Bastidores, que não veem problemas em serem os dois nomes do PL em 2026. Rodrigo conta com o incentivo de Bolsonaro e Amorim com o incentivo do agrupamento liderado pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa.

Rodrigo desmente ataque a Valmir

Rodrigo Valadares aproveitou as declarações para Bastidores e deixou claro que, ao contrário do especulado, sua fala sobre os não defensores de Bolsonaro, não foi direcionada a Valmir de Francisquinho. Segundo o parlamentar, o alerta foi para vários direitistas pelo Brasil, que não tem atuado nas redes em defesa do ex-presidente. Fixação em Valmir parece estar produzindo muita desinformação.

Empresa sem licenciamento

A empresa Renova, contratada de forma emergencial para operar a coleta de lixo em Aracaju, está atuando sem licença ambiental. Para o conselheiro Flávio Conceição a situação é grave e pode, ao final da minuciosa inspeção que o TCE-SE está fazendo, acarretar em improbidade administrativa para a prefeita Emília Corrêa. Ele fez esse alerta durante sessão do Pleno na última semana.

Renova autuada pela Adema

O presidente da Adema, Carlos Anderson, confirmou que a Adema já autuou a empresa pela irregularidade. “Quando da vistoria, que é trâmite ordinário para a concessão da licença para a início das operações, foi verificado que já estavam rodando. Foi lavrado o auto de notificação solicitando as informações necessárias e foi lavrado também o auto de infração, pois conforme sabido, a empresa está operando sem a devida autorização ambiental”, explicou o presidente.

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