O economista do Luís Moura, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), esclareceu na manhã desta quarta-feira, 14, no Programa Jornal da Fan, da Fan FM, pontos da reforma trabalhista, cujo texto principal foi aprovado na terça-feira, 11, no Senado. Para Moura, os trabalhadores ainda não se deram conta dos prejuízos que a reforma acarretará para a classe. “Vamos vivenciar, a partir da sanção do presidente, conflitos sociais e uma nova forma de trabalhar”, advertiu.

Respondendo a uma breve participação no programa do presidente da Associação Comercial de Sergipe, Marcos Pinheiro, Luís Moura lembrou ao representante patronal que a reforma pode prejudicar o comércio. Para Pinheiro, as mudanças na lei trabalhista irão melhorar as relações de trabalho, além de incrementar a oferta de emprego,

Prejuízos comércio e INSS – Luís Moura explicou que a precarização do trabalho vai reduzir a renda média do trabalhador e consequentemente, diminuir a massa salarial, que é o total de salários pagos injetados na economia. “O trabalhador vai comprar menos”, resumiu.

O economista lembrou que a reforma trabalhista irá influenciar a arrecadação da Previdência. “Se o patrão contrata você como autônomo, deixa de contribuir com os 20% e o trabalhador também deixará de pagar o INSS, ou se pagar, vai pagar apenas 8%. Isso vai impactar na Previdência”, falou Moura.

Imposto Sindical e serviço público – A Reforma Trabalhista põe fim à obrigatoriedade da contribuição do trabalhador com o Imposto Sindical. Para Moura, essa medida, além de enfraquecer os sindicatos, poderá levar o trabalhador a sofrer retaliações por parte do patrão, caso opte por contribuir com o sindicato ao qual pertence. “O trabalhador que se sindicalizar, será visto com desconfiança pelo patrão, que pode demiti-lo, simplesmente, por ele estar sindicalizado”, advertiu.

Ele entende que, o Imposto Sindical poderia acabar, desde quando fosse criado um financiamento dos sindicatos – de empregados e os patronais, também. “Isso existe em todos os países do mundo”, informou.

O economista ressaltou que a reforma atinge basicamente os trabalhadores da iniciativa privada, mas reflete também, nos servidores públicos contratados pelo regime da Confederação das Leis Trabalhistas (CLT). Ele se referiu à possibilidade do fim da estabilidade do servidor e da forma de ingresso no serviço público.

Sistema S – A partir da intervenção de uma ouvinte, Luís Moura questionou sobre a falta de transparência na aplicação de recursos por parte das entidades que englobam o Sistema S (Senac, Sesc, Senai, Senast e Sebrae). “Em 2016, o Sistema arrecadou R$ 30 bilhões. Como e onde foi aplicado esse dinheiro? Voçê acessa o site de qualquer um desses que faz parte do sistema e não encontra nada que lhe dê essa informação. Cadê a transparência?”, questionou, ao lembrar que não existe nada de gratuito no sistema “é tudo pago”, ressaltou ao cutucar o empresário a propor, também, o fim da obrigatoriedade da contribuição das empresas ao Sistema S.

Moura esclareceu que 3% da folha salarial de todos os trabalhadores brasileiros vão para o Sistema S, “e você não sabe o que foi feito desse dinheiro. Não há transparência. E o interessante é que você não vê nenhum empresário defendendo o fim da contribuição”, finalizou.

Foto: Infonet