Representantes do Movimento Sem Terra (MST) receberam nesta terça-feira, 25, Dia Nacional do Trabalhador Rural, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédille. Ele veio a Sergipe puxar o grito “Fora Temer” e participar de atos que visam pressionar o governo a agilizar processos de reforma agrária. Stédille fez duras críticas à atuação do Incra e disse, em primeira mão ao radialista George Magalhães, que a reforma agrária “anda a passos de tartaruga desde o governo Dilma”.

Segundo o MST, existem em Sergipe, entre assentados e acampados cerca de 20 mil famílias. “A reforma agrária está totalmente emperrada e o Incra virou uma tapera velha voltada para fins partidários, isolado da sua função que é promover a reforma agrária, fazer desapropriações e resolver os problemas dos pobres do campo”, disse Stédille. Para ele, não há outra forma de mudar essa situação, senão pressionando o governo e forçando o afastamento do presidente Temer.

Stédille falou, também, das reformas trabalhistas e da Previdência e classificou ambas como absurdas e danosas não só ao trabalhador rural, como também, às prefeituras de pequenas cidades do interior. “Voltamos à época da escravidão”, disse ao se referir à reforma trabalhista. Quanto à Reforma da Previdência, ele diz que vai inviabilizar a aposentadoria do meio rural.

Corruptos – Ele informou que nas primeiras horas desta terça-feira, trabalhadores rurais ocuparam em todo país, fazendas ligadas a processos de corrupção ou a corruptos. A exigência é que essas terras sejam destinadas para assentamento de famílias Sem Terra.

Entre as fazendas ocupadas estão a do ministro Blairo Maggi, no Mato Grosso, a do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em Barra Mansa, Sul Fluminense e uma em Duartina, estado de São Paulo, que segundo o MST, pertence ao presidente Temer, mas está em nome de um coronel militar.

Caminhada – Os atos pela Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária em Sergipe começaram às 10 horas desta terça-feira com caminhada partindo das proximidades da antiga garagem da Bonfim, no Bairro Novo Paraíso em direção à praça em frente à sede do Incra, na avenida Coelho e Campos, bairro Santo Antônio. Neste local, eles se juntam a um grupo de famílias que ocupa a sede da superintendência regional e permanecem até às 14h.

À tarde, seguem em caminhada até à Praça General Valadão para uma série de atos em conjunto com a Frente Nacional. No local, fazem protestos contra o governo Temer. Manifestações semelhantes acontecem no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.