O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas em depoimento à Justiça Federal que pedia propina porque adquiriu o vício pelo dinheiro e pelo poder. Ele está preso e condenado a 200 anos de prisão por corrupção e outros crimes.

Pela primeira vez ele deu detalhes das propinas que recebia na Secretaria de Saúde e disse que se sentia aliviado por estar falando. “Gente, eu tô muito aliviado, sabia? Quero continuar ficando aliviado. Seja o tempo que eu passar na cadeia”, disse. Falou ainda que tomou essa decisão pela mulher,  pela família e pelo momento histórico.

Sérgio Cabral falou também que foi o gestor que “conseguiu reduzir o percentual da propina de 10% para 5%”.

“Vim aqui para falar a verdade. Conheci Sérgio Cortes na campanha de 2006 mais proximamente. Quando acabou a eleição eu falei para o Cortes que tinha um contrato com o Arthur Soares e combinamos uma propina de 3% para mim e 2% para você. Antes nos governos anteriores Arthur disse que a propina era de 20%. Esse foi meu erro de postura, apego a poder, dinheiro… é um vício”,falou o ex-governador.

Sérgio Cabral já citou, nesta tarde, os nomes de ex-colaboradores como Sérgio Côrtes, secretário de Saúde durante a sua gestão, e Regis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do RJ.

O ex-governador fez questão de citar, em seu depoimento, o nome de quatro secretários com quem nunca falou de dinheiro: Renato Villela e Joaquim Levy, que ocuparam a secretaria de Fazenda e dois secretários de Educação de sua gestão: Nelson Maculan e Wilson Risolia (Educação).

De acordo com o ex-governador, houve esquemas em todas as áreas da saúde estadual: escadas magirus, carros de bombeiros, caminhão da ressonância, tomógrafo móvel.

Sérgio Cabral foi preso em novembro de 2016 pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.