Conhecido por seus posicionamentos firmes, o ex-vice-prefeito de Aracaju (SE), José Carlos Machado, concedeu entrevista ao radialista Narcizo Machado, durante o Jornal da Fan, desta quinta-feira, 9.

Machado comentou sobre uma das situações mais polêmicas da sua vida pública. No final da gestão do então prefeito de Aracaju, João Alves Filho, o ex-vice-prefeito foi gravado durante uma conversa com aliados em que dizia: “A equipe de João só quer saber de roubar. Eu quando reclamo sou ruim, sou chato”, afirmou.

Sobre este assunto, durante a entrevista, Machado disse que “é coisa do passado’. “Estamos sujeitos, em uma conversa com amigos ou em um momento de raiva fazermos declarações assim. Mas passou, é um assunto que eu não quero mais tocar”, afirmou.

João Alves

Questionado sobre as declarações feitas pela senadora Maria do Carmo em entrevista ao Jornal da Fan , na qual ela diz que sua cunhada, à época, secretária de governo da Prefeitura de Aracaju, fazia o prefeito da capital, João Alves, assinar documentos, que ele nem sabia do teor, Machado afirmou que não tem conhecimento dessa situação. ‘Eu era vice-prefeito. Percebia que tinha algo erado, mas não posso dizer aqui, que João já estava doente e que não sabia o que estava fazendo, mas uma coisa é certa, ele pensava muito para tomar decisões, era um João bem diferente, do que eu conheci há mais de 40 anos”, destacou.

Hoje com Alzheimer, o ex-prefeito de Aracaju e esposo da senadora Maria do Carmo, João Alves mora em Brasília. Mesmo com todos os problemas enfrentados durante a gestão dele e depois dela, Machado apelou para que João seja lembrado pelo homem público que foi. “É claro que outros políticos tiveram sua contribuição, mas João foi o homem que mais fez por Sergipe. Democratizou o acesso à àgua, construiu pontes, rodovias, hospitais, escolas e fez tantas outras ações que impactam até hoje no desenvolvimento deste estado. Em seu último mandato já como prefeito, além da saúde frágil, ele administrou a cidade com a má vontade dos entes federativos e estaduais. Os repasses do Governo Federal eram tão baixos, que inviabilizavam a adoção de medidas que melhorassem a vida dos aracajuanos”, pontuou.

Itabaiana-SE

No próximo ano acontece as eleições municipais e inevitavelmente o assunto já circula nas rodas de conversa da classe política. Machado, não esconde seu desejo de se tornar prefeito da sua cidade natal, Itabaiana (SE), no Agreste sergipano. “Fui deputado federal e beneficiei o meu município com o chegada da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a construção de barragem e tantas outras ações. Conheço bastante aquele povo e cada canto do meu lugar, de forma que tenho muito o contribuir com o crescimento dele”,revelou.

Apesar da fala em tom de discurso político, Machado disse que o desejo será submetido ao agrupamento, que decidirá qual o melhor caminho a ser adotado.

Para 2022 ele já disse que pretende retornar ao parlamento, seja como deputado federal ou estadual.

Aracaju

Apesar de afirmar que não pretende ser candidato a nenhum cargo político em Aracaju, José Carlos Machado, não deixou de fazer suas análises sobre o cenário político da capital e reafirmou o que já se cogita desde as últimas eleições no ano passado, que é o rompimento entre o PT e o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B).

“Quando não garante desde já apoio à candidatura de Edvaldo para o próximo ano, o PT manda um recado para ele dizendo que está vivo e que tem condições de colocar um nome na disputa. O partido saiu muito bem do processo eleitoral. Elegeu a vice-governadora, um deputado federal e um senador, que ninguém esperava, mas está aí e mostrando a força do agrupamento”,disse.

Gás de cozinha 

Machado advertiu para a exploração na distribuição e logística de gás de cozinha que só favorecem aos próprios distribuidores. “Há uma exploração desumana das distribuidoras de gás que elevaram os lucros em 93% no ano passado”

Ele disse ainda que não há interesse em modernizar o sistema de comercialização de gás de cozinha que é praticamente o mesmo de quatro décadas atrás. Machado disse que tentou mudar quando foi deputado federal (2003-2007 e 2007-2011 pelo PFL) com o projeto de lei que propunha a venda fracionada do gás de cozinha. “Havia um apelo popular muito grande, mas não foi para frente por conta de um lobby pesado das distribuidoras”, relembrou ao lamentar que nenhum outro parlamentar sergipano se interessou até hoje pelo projeto.

Para Machado o sistema de venda de gás no Brasil funciona quase como um monopólio fiscalizada pela Agência Nacional de Petróleo e que a distribuidora oficial do país é a Liquigás, o que na avaliação de Machado é algo esdrúxulo.

Situação financeira de Sergipe 

“É um desafio gravíssimo”, exclamou Machado. Ele lembrou da escassez de recursos, dos problemas com construtores que abandonam obras e citou o Canal de Xingó, obra grandiosa que está esquecida.

Para Machado, o governador deve eleger as prioridades do Estado e envolver os pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe a fim de formar parcerias para buscar soluções para os problemas prioritários.