Brizolista de nascença, como ele se classifica, menina dos olhos de Jackson Barreto, como outros lhe batizam. Robson Costa Viana, 46 anos, atua na política desde 1989, quando era filiado ao PDT e ajudava na coordenação da juventude do partido. Foi o vereador mais votado de Aracaju em 2012, 8.093 votos pelo PMDB, o 13º deputado estadual mais votado em 2014, 26.875 votos também pelo PMDB. O que foi fundamental na carreira de Robson? Jackson Barreto? Rasgadinho?

Em  2016, Robson deixa o PMDB e passa a comandar o PEN em Sergipe. Já estava desde 2012 como vereador dando sustentação a João Alves (DEM) na Câmara Municipal de Aracaju. A relação de quatro anos entre Robson e João Alves suplantou os anos de relação com JB. Viana plainou voo solo nas eleições de 2016, aliando-se a João Alves no primeiro turno e no segundo turno decidindo apoiar Valadares Filho. O que teria motivado Robson a essas decisões?

A aliança com João rendeu-lhe a indicação de seu irmão, Sérgio Viana, para Secretaria Municipal de Articulação Política. Em 15 de março de 2018, Sérgio Viana foi preso pela Operação Caça Fantasmas a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Robson também é investigado pela Operação Indenizar-se, deflagrada em 2016 pelo Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). Como Robson se posiciona sobre esses dois fatos?

Rogério Carvalho declarou recentemente que em 2014 não contou com o voto de parte do PMDB e citou Robson como exemplo, acusando-o de ter votado na senadora Maria do Carmo (DEM). Viana não tergiversou: “Não sou obrigado, nem vou obrigar ninguém a votar em Rogério”. Leia entrevista exclusiva e veja o conselho que Robson manda para Rogério.


Nessa entrevista exclusiva, Robson fala sobre esses e outros assuntos 


Fan F1 – Sobre as declarações de Rogério, de que em 2014 você não votou nele para senador?

RV – Não entendo como Rogério está com uma bola de cristal agora e descobriu o voto da gente. Uma história requentada de quatro anos atrás. Primeiro ele deveria olhar para dentro do partido dele. Teve gente do partido que não votou nele, então a primeira avaliação que ele tem que fazer é essa. A segunda avaliação é ele entender o que houve de erros na campanha dele. Geralmente quem perde uma eleição tem a tendência de querer colocar a culpa nos outros. A terceira coisa é que eu não sou obrigado, nem vou obrigar ninguém a votar nele. Em 2014, existiam sim pessoas de meu grupo que não quiseram votar em Rogério, eu dei entrevista à época explicando isso. Almocei com ele tem dois meses, não entendo essa declaração. Agora veja, não sei se trazer isso de volta é para atingir a mim ou a Jackson, já que ele fala que foram pessoas ligadas ao ex-governador que não votaram nele. É um recado indireto. Torço por ele, que dê tudo certo para ele.

“Agora veja, não sei se trazer isso de volta é para atingir a mim ou a Jackson, já que ele fala que foram pessoas ligadas ao ex-governador que não votaram nele. É um recado indireto”

Rogério e Robson na campanha de 2014 – Foto: Redes sociais RC

Fan F1 – Essas declarações podem trazer consequências para 2018?

RV – Tem muita coisa para acontecer, muita coisa para conversar daqui para agosto. Agora, eu penso que ele precisa se acalmar, ter tranquilidade, ponderar em suas entrevistas. Acho que ele foi muito infeliz com relações as últimas declarações. Ele tem que dialogar, conquistar as pessoas e não estar atirando em pessoas que estão no mesmo agrupamento que ele.


Eleições 2018, avaliação da conjuntura política e dos governos


Ato de filiação – Foto: Redes sociais Robson Viana

Fan F1 – Por que escolheu o PSD, como novo partido?

RV – É da base aliada, já havia um convite do deputado Fábio Mitidieri e agora fortalecido com a presença do governador Belivaldo Chagas. O PSD é um partido forte e nós estamos chegando para somar e contribuir.

Fan F1 – Entrevistei Matos e Georgeo e ambos disseram que não farão carreira na Alese, não passarão de dois mandatos e buscarão ocupar outros espaços. Robson pensa em um limite de mandatos também?

RV – Eu acho que a gente não tem que fazer carreira política, no máximo dois mandatos tem que estar satisfeito e buscar outro patamar. Tanto que fui vereador por oito anos e busquei uma vaga aqui na Alese. Seja qual for o cargo dois mandatos é suficiente. É importante porque oxigena a política, abre espaço para outras pessoas. Não vejo lógica em quem opta em fazer carreira passa cinco, seis mandatos, é como se o cargo político fosse um emprego.

Fan F1 – Esse cenário das eleições de 2018 com várias candidaturas e todas elas numa disputa em pé de igualdade, ao menos cinco nomes fortes, como você vê essa conjuntura?

RV – Acho muito bom. Bom pro povo de Sergipe que poderá ter uma visão melhor, analisar qual o melhor projeto. Acho que é uma eleição atípica, muito disputada. O cenário nacional vai interferir. Antes você tinha cinco, mas dois disputavam. Agora os cinco candidatos disputam de igual para igual. Deverá ser uma eleição de segundo turno e acredito que o povo saberá fazer a melhor escolha.

“Não conheço quem tenha a mesma dinâmica, força de vontade e a capacidade de Jackson de fazer política 24 horas”

Robson antes de ir para o PSD já havia declaro apoio ao pré-candidato Belivaldo

Fan F1 – Jackson tem viabilidade eleitoral com toda essa crise que o governo passa?

RV – Tem, tem. Quem, conhece o histórico, a vida, o compromisso e a responsabilidade de Jackson sabe que ele tem tudo para superar. Todos conhecem a capacidade de Jackson de fazer política. Agora sem o peso da gestão ele vai estar mais leve, vai ajudar a Belivaldo, mas terá mais espaço e mais tempo para fazer política. Não conheço quem tenha a mesma dinâmica, força de vontade e a capacidade de Jackson de fazer política 24 horas. Após esses dias de descanso ele vai voltar motivado para se reorganizar e ajudar inclusive na pré-candidatura de Belivaldo.

“O fato dele ter sido contra o impeachment de Dilma, ter sido contra Temer e ser uma liado histórico do PT, dificultou a relação com o Governo Federal, a demora do Finisa tenho certeza que tem questão política”

Na tribuna da Alese – Foto: Alese

Fan F1 – Sua avaliação desse período de Jackson no governo?

RV – Não podemos tapar o sol com a peneira. Jackson não queria estar atrasando salários, com problemas na Segurança, a Saúde melhorou, mas ainda tem dificuldades. A crise econômica, queda de arrecadação, crise política nacional, aumento do desemprego, tudo aconteceu no período do governo de Jackson. Outros estados passam pelas mesma dificuldades. Quem conhece a história de Jackson sabe que ele sofreu passando por isso tudo. O fato dele ter sido contra o impeachment de Dilma, ter sido contra Temer e ser uma liado histórico do PT, dificultou a relação com o Governo Federal, a demora do Finisa tenho certeza que tem questão política, o bloqueio das contas é questão política, mas não podemos reclamar é do jogo político, e eu tenho certeza que não poderemos superar tudo, salários dos servidores regularizados só na próxima gestão. Mas vamos torcer que Deus nos ajude, vamos pra rua com esse desgaste, e encarar a sociedade. Com tudo isso, eu acho que a história dele e tudo que ele fez por Sergipe terá peso e ele conseguirá seu objetivo de nos representar no Senado.

Fan F1 – Sua avaliação o governo Temer?

RV – É difícil avaliar um governo de um ano e meio, com toda crise que pegou. A avaliação é essa, 5% de aprovação, penso que não houve tempo. Foi um momento difícil, a economia deu uma melhorada, o desemprego diminuindo, são pontos positivos. De negativo vejo a reforma trabalhista que não ficou a contento da sociedade, a proposta que não avançou da Previdência também era ruim, os fatos que ligam Temer a Lava Jato, isso foi muito ruim. Torcer que esse período passe, esse governo acabe e que todos unam força, desçam do palanque e trabalhem juntos pelo Brasil.

Fan F1 – Sobre Lula, qual sua avaliação da situação dele?

RV – Lula tem uma história impressionante! Um metalúrgico que conseguiu ser presidente da República por duas vezes! Mas tem seus defeitos, também. Penso que a Justiça está fazendo sua parte e Lula se defendendo. A melhor forma de avaliação é a eleição, ele deveria ter o direito de ser candidato. Mas acredito também que caso não possa, que todos nós temos que ter muita luz e tranquilidade, que é o que o momento do país pede. Espero que ele tenha o direito de ser candidato.

Fan F1 – Não votou em Edvaldo mas sua principal base eleitoral é Aracaju. Como avalia a gestão dele na Prefeitura de Aracaju?

RV – O governo de Edvaldo tem crescido, a gente tem visto o trabalho dele. O recapeamento asfáltico da cidade é notório, a busca de recursos em parceria com André Moura é uma ação acertada, está fazendo a coisa mais certa que é buscando viabilizar a sua gestão e trabalhando para o bem do povo. Já conseguiu várias emendas e veja a quantidade de bairros que já foram beneficiados. Quem critica precisa entender que passou a eleição e é preciso descer do palanque, se André tem condições de ajudar, bom para Aracaju, podia ser qualquer um, o importante é a gestão e nas eleições cada um vai para seu lado.

Fan F1 – Acredita na especulada aliança branca entre Jackson e André?

RV – Não acredito. Quem conhece a história política de Jackson sabe que ele não tem em sua história nenhuma aliança branca. Agora não podemos nos enganar tem muita gente do nosso grupo que vai votar em André, muita gente que tem interesse de votar em André. Muitos votarão em Jackson e já negociaram a outra vaga com André.  Isso é do processo político, mas aliança branca não. Já aconteceu isso em outras eleições, de vários escolherem um senador de cada lado. Muita gente vai fazer isso, muitos prefeitos nossos já estão fazendo isso, não votam no governador de André, mas votarão nele.

“Um político que disser que não tem o sonho de administrar a capital do seu Estado, está mentindo. Eu sonho, mas não tenho pressa”

Fan F1 – Voltando a 2016: com a boa votação de 2014, seu nome foi ventilado e depois descartado para uma possível candidatura a prefeito em 2016. Esse fato pesou na decisão de apoio a João?

RV – No início aconteceu, eu fui consultado, houve uma pesquisa. Mas não sou vaidoso, cada um tem seu tempo. Não foi por isso que fui para João. Minha relação com João começou em 2012. Fui claro com Jackson e Edvaldo quanto aos meus argumentos. Eu seria hipócrita em subir no palanque de Edvaldo naquele momento.

Fan F1 – Ainda sonha e trabalha para ser candidato a prefeito de Aracaju?

RV – Um político que disser que não tem o sonho de administrar a capital do seu Estado, está mentindo. Eu sonho, mas não tenho pressa, 2020, 2024, vai chegar o momento. Jackson teve o sonho de ser governador e foi, Lula teve o sonho de presidente e foi. Minha base é Aracaju, vamos continuar trabalhando, isso tem que ser um trabalho de grupo. A prioridade é a reeleição para deputado estadual.


Investigações – Caça Fantasmas e Indenizar-se


Fan F1 – Quando Robson assumiu o mandato, a Assembleia estava sob investigação. Qual era o clima da Casa naquele momento?

RV – Era um clima tenso, um momento muito difícil. Havia a denúncia do Ministério Público, que teve repercussão nacional. Agora as coisas estão mais calmas. Cada um está buscando resolver a sua situação e tenho certeza que conseguirão mostrar a sua inocência. Eu não estava no parlamento e não sei como era. Há quem diga que não havia controle. Mas o que sei é que as subvenções ajudaram muitas pessoas, muitas entidades e associações.

“Acredito na inocência de todos até que se prove o contrário. A Justiça está aí fazendo a parte dela e cada um fazendo de tudo para provar sua inocência”

Fan F1 – Acredita na inocência dos envolvidos?

RV – Acredito na inocência de todos até que se prove o contrário. A Justiça está aí fazendo a parte dela e cada um fazendo de tudo para provar sua inocência. Hoje no Brasil a gente vive um clima ruim. Todo mundo quer estar na mídia e às vezes faz acusação equivocada, já se condena sem dar direito à defesa. As instituições estão aí para isso. Cada um faz a sua parte e a Justiça dará a sua posição no tempo certo, ao final do processo.

Fan F1 – Esses processos atrapalharam o funcionamento da casa?

RV – Claro que atrapalha! Vários deputados focados em sua defesa, preocupados, a mídia começa a cobrar e o deputado é ser humano, então é natural que muitos tenham perdido o foco, mas acho que a Assembleia cumpriu seu papel.

Robson nega ligações com Alcivan

Fan F1 – Você foi indiciado na operação Indenizar-se. Como está o trâmite desse processo?

RV – O processo está rolando. Foi algo que aconteceu em 2013. Existia uma série de serviços que podiam ser terceirizados e pagos com as verbas de subvenção. De janeiro a setembro loquei dois carros – um em janeiro e outro em setembro. Loquei dois carros para fiscalizar pontos de venda de água mineral, era uma fiscalização que fiz pelo meu mandato, questionando a qualidade da água mineral vendida. Fizemos o serviço no mês de janeiro. Colhi amostras de água e fiz teste no ITPS, tenho laudo e tudo. Paguei pelo serviço e no momento em que o dono da empresa foi levar o relatório do veículo, entregou com a placa trocada. Eu tenho culpa?

Fan f1 – Foi um erro da empresa?

RV – O serviço foi prestado, a ação foi feita. Depois ficamos sabendo que os carros era sublocados. Hoje se alguém vai numa locadora para locar um carro, não faz uma análise de placa, situação do carro, se a placa está adulterada ou outros problemas. Um tempo depois o problema aparece e a culpa é de quem locou? Eu tenho a nota fiscal, foi pago R$ 4.800 esse é o valor questionado. E outra situação foi em setembro. Meu carro particular quebrou, eu loquei um veículo por 10 dias por R$ 900.

Fan F1 – As duas locações com a mesma empresa? Qual o nome da empresa?

RV – Foi com a mesma empresa, mas não me recordo no nome, porque quem cuidava disso era meu gabinete e pelo tempo também. Eu juro que não sabia que era da empresa de Alcivan. No processo tem um carro que foi prestado contas e estava cadastrado com a placa de uma moto. Eu pergunto. De quem é culpa? Do contratante que pagou ou da empresa que prestou contas com tudo errado? Se a placa está alterada, o culpado não sou eu?

Eu moro ali na Atalaia há 18 anos de aluguel. Você ser acusado de fazer parte de uma quadrilha, por ter feito uso de R$ 5.700 eu devo ser um bandido fajuta”

Fan F1 – Então Robson nega as acusações que afirmam que você teria usado indevidamente recursos da indenização?

RV – Juro que não tenho preocupação. O papel do MP é denunciar, do TJ é julgar e a gente provar a inocência. Eu estou falando isso, porque quando saiu a acusação na mídia, saiu com valores de milhões de reais. Fomos acusados de ser uma quadrilha, um núcleo criminoso. Penso que a gente tem que ter cuidado com as coisas. Aracaju é pequena e todo mundo se conhece. Todos conhecem a vida de Robson, de Narcizo. É só pegar meu imposto de renda. Eu moro ali na Atalaia há 18 anos de aluguel. Você ser acusado de fazer parte de uma quadrilha, por ter feito uso de R$ 5.700 eu devo ser um bandido fajuta. Poderia ser um real, é dinheiro público. Mas o que estou dizendo é que o serviço foi prestado e eu paguei. Cada caso é um caso. Outra acusação é sobre assessoria jurídica. Durante oito anos fiz parte da Comissão de Constituição e Justiça, eu contratei durante 10 meses a assessoria jurídica do escritório de Alcivan, custou R$62.000 durante esses meses. Qual o erro que podemos ter cometido? Não existia a obrigação de pagar com cheque ou transferência, nós pagávamos em espécie diretamente ao prestador de serviço e Alcivan não prestou contas no imposto de renda desse valor, acho que isso que pesa. A TV Sergipe e a imprensa cobravam direto às reuniões das comissões, eu precisava de advogado para me auxiliar nos trabalhos. Em momento algum desviei esse dinheiro, minha vida está aí para ser analisada.

Convenção do DEM que escolheu João Alves candidato em 2016

Fan F1 – A opção de 2016 por João Alves lhe rendeu dois problemas: um político, com Jackson Barreto, e um judicial com a prisão de seu irmão na Caça-Fantasma. Se arrepende de ter feito esse acordo?

RV – Não me arrependo de jeito nenhum! Penso que na vida a gente tem que seguir em frente. Conheci mais profundamente o prefeito João Alves quando fui vereador após as eleições de 2012. Com a senadora, eu já tinha uma convivência. João Alves foi um grande político sergipano, deixou seu legado, está passando por um momento difícil de saúde. Será uma pessoa que será lembrada pro resto da história política de Sergipe. Penso que contribuí para o povo e não me arrependo. Perder eleição é da vida, foi um momento difícil até pela minha convivência e história política com Jackson Barreto, mas é da vida. A vida é de decisões e eu não fujo de decisões. No segundo turno achei que o melhor seria Valadares Filho. O povo escolheu Edvaldo e nos cabe aceitar. Acabou eleição, vida que segue. Na época quiseram criar um clima tenso entre eu e Jackson.

“Meu irmão estava na lista para ser chamado para depor, uma pessoa junto com seu pai dá uma declaração de que houve tentativa de obstrução e por isso pediram a prisão”

Fan F1 – Criar não, houve declarações fortes de Jackson…

RV – Por isso que não rebati, se tivesse feito isso talvez tivesse inviabilizado hoje estarmos unidos novamente. No momento certo conversei com Jackson, mostrei minha amizade, na política isso também é importante. Deixei passar e com a cabeça fria cada um ponderou e superamos. É algo superado, estaremos juntos nesse projeto de 2018. Quanto a meu irmão, deixemos que as coisas caminhem. Acho que foi uma injustiça, ele passou dois meses na secretaria. Ele não queria ser secretário, foi por uma insistência de João Alves. Por uma declaração de uma pessoa, o Ministério Público entendeu que houve tentativa de obstrução de justiça. Acho que foi injusto. O Ministério Público fez o papel dele que é de acusar e o juiz acatou. Meu irmão estava na lista para ser chamado para depor, uma pessoa junto com seu pai dá uma declaração de que houve tentativa de obstrução e por isso pediram a prisão de meu irmão, mas repito, tenho certeza que ao final tudo ficará comprovado que ele não tentou obstruir nada, todos em Aracaju se conhecem e conhecem meu irmão.

Com a senadora Maria do Carmo em Brasília

Fan F1 – Acha que houve alguma conotação política na prisão de seu irmão, para atingir Robson Viana?

RV – Eu recebi muitas mensagens com relação a isso, o povo de Sergipe está acompanhando, o povo não é besta. Eu acho que fatos ocorreram aqui em Aracaju muito mais graves do que o que estão acusando ele. Agora isso é o tempo que vai dizer no desenrolar do processo. Foi uma tristeza, meus pais, minha família, muita solidariedade. Não quero crer sabe, as pessoas me diziam que estavam querendo me desestabilizar, queimar minha imagem, que isso é questão política. Mas volto a dizer, Aracaju é pequena, como dizia Albano, aqui todos se conhecem e todos sabem a história de minha família e de meu irmão, bom filho, bom pai, mas é isso, na vida pública estamos sujeitos a tudo, inclusive a atingirem as nossas famílias.

Sérgio Viana, ex-secretário de João Alves foi preso em março

Fan F1 – Após a prisão, a posição de seu irmão como superintendente do Hemose passou a ser questionada pelo fato de ele não ser da área da saúde, estando ali apenas por indicação política. Isso lhe incomodou?

RV – De forma alguma. Até porque não precisa ser da saúde para fazer um bom trabalho. Basta chegar lá e perguntar sobre o trabalho que meu irmão vinha fazendo à frente do Hemose. A gente já teve ministro da Saúde, que não era da área e fez um grande trabalho. Almeida Lima não é da área e faz um grande trabalho. Ele está fazendo o trabalho dele e um grande trabalho inclusive elogiado pelo ex-governador. Ele é formado em administração, entende de gestão. O Hemose também não é um bicho de sete cabeças para administrar.


Polêmicas na edição 2018 do Rasgadinho 

Mesmo por dentro de muitos detalhes da festa, Robson diz que não tem mais informações quando solicitado que avaliasse se houve erro na cobrança de altas taxas para liberação de espaços de venda no Rasgadinho.


Fan F1 – O que houve que não foi feito pagamento dos artistas sergipanos que tocaram no Rasgadinho?

RV – Houve uma questão de documentação, os patrocinadores não nos pagaram, mas todas as pessoas que trabalharam e os artistas receberão até o final de abril. Houve uma questão de documentação, uma prevenção pela questão eleitoral.

Fan F1 – Qual a relação com a questão eleitoral?

RV – Houve um questionamento de um patrocinador, porque saiu em algum lugar um agradecimento meu, houve então esse questionamento, mas já está tudo resolvido, a documentação resolvida. Isso já foi superado e como disse, até o final de abril todos que ficaram sem receber, estarão recebendo.

Bom anfitrião, Robson recebeu a todos no Rasgadinho

Fan F1 – Artistas nacionais ficaram sem receber também?

RV – Sim, Jota Quest, Paralamas, Diogo Nogueira e Baby do Brasil, todos ficaram sem receber. A fonte de pagamento era o mesmo patrocinador.

Fan F1 – A polêmica da venda de espaço público para comercialização?

RV – A gente não vendeu espaço público, vendemos a estrutura, não podemos vender espaço público. E tem mais, quem pagou e se sentiu prejudicado, a associação devolveu o dinheiro, quem foi lá vendeu e achou que teve prejuízo teve ressarcimento no dia seguinte. Vejo mais política nessa repercussão do que problema. Tudo vira política. Em nenhum momento houve venda de espaço.

Fan F1 – Houve erro de estratégia nos valores cobrados?

RV – Não vou dizer isso a você porque não estou inteirado. Teve uma equipe que tomou conta disso, primeiro porque foi online. Houve alguns erros de mostrar online todos os espaços, acho que isso criou confusão, então são coisas que precisam se adequar. Eu terei uma reunião com a associação dos ambulantes para ouvir as sugestões deles e discutir melhorias. Acho que a pessoa quando escolheu não entendeu onde era o espaço, não avaliou se era bom se era ruim. Em outros eventos, como o Fest Verão, não há devolução, a pessoa fica no prejuízo se não der certo. Mas vamos ajustar, houve erros e próximo ano iremos avançar. Toda mudança traz novidades e necessita de adequações.


História,  trajetória política e o primeiro mandato como deputado estadual


“Trabalhamos em várias linhas. Acho que poderíamos produzir mais, mas essas coisas todas que aconteceram durante o mandato tiraram o foco”

Fan F1 – Relate um pouco sua trajetória política até chegar à Assembleia Legislativa…

Robson Viana (RV) – Iniciei em 1989, ainda jovem, filiado ao PDT. Era brizolista e no segundo turno votei em Lula.  Sempre acompanhei Jackson Barreto e fazendo a política nos bastidores. Em 2003 resolvi que iria disputar um mandato e me filiei ao PSB. Disputei em 2004 uma vaga para Câmara de Vereadores de Aracaju e naquela eleição fiquei como suplente. Em 2006, Zeca era vereador e ganhou eleição para deputado estadual, eu era suplente dele e assumi a vaga como vereador. Passei dois anos me reelegi como o mais votado de Aracaju. Em 2010 voltei a disputar uma vaga para a Assembleia, perdi e ficou a lição. Em 2012, fui o segundo mais bem votado para vereador em Aracaju e em 2014 finalmente me elegi deputado estadual, sendo o mais votado em Aracaju. Fico feliz com essa trajetória, estamos fazendo política há 28 anos, e sempre no mesmo agrupamento liderado por Jackson Barreto.

Jackson Barreto foi sempre seu grande incentivador

Fan F1 – Na juventude que movimentos Robson coordenava?

RV – Coordenei movimentos de juventude no PDT e sempre tínhamos parceria com a juventude do PCdoB, tinha a juventude do PT, com um grupo que participou da campanha de Ismael para prefeito, enfim, estávamos sempre na luta pela democratização do Brasil. Nos movimentos da UFS também, nós criamos vários movimentos. Fui da juventude do PT também, e aí, seguindo esse caminho, um grupo que seguia conosco resolveu em 2004 apresentar nosso nome ao povo de Aracaju.

Fan F1 – Como surge a festa do Rasgadinho na trajetória de Robson Viana?

RV – O Rasgadinho tem uma história muito bonita. Seu Leopoldo faz parte da história e foi o fundador do Rasgadinho lá em 1962. Em 2003, um grupo de amigos resolveu trazer esse carnaval de volta.  Eu nasci e cresci no Cirurgia, um berço cultural dessas manifestações. Eu vivenciei na Barão de Maruim os desfiles de calhambeque e escolas de samba, com seu Leopoldo, seu Amauri, seu Oscar que na minha juventude descia a rua de Maruim com as mulatas, era “Seu Oscar e suas 12 toneladas de ritmos”, quando eu tinha oito, nove anos, eu vivenciei isso. Tinha também os carnavais dos clubes em Aracaju, Cotinguiba, Atlética e que se acabaram. Então em 2003 um grupo de amigos resolveu resgatar esse tradicional carnaval. Tonhão do Imbuaça tinha toda a história do Rasgadinho. Ele trouxe pra gente a história de Leopoldo, reunimos tudo, seguimos e fizemos a primeira edição com Tonho Baixinho puxando as pessoas, eram umas 100 pessoas respeitando a tradição da fantasia, num carnaval tradicional, pelas ruas. Completamos 15 anos, hoje o Rasgadinho tem reconhecimento nacional, a cidade enche de turistas e ele é nosso carnaval, um carnaval consolidado. Não tínhamos carnaval, acabava o Pré Caju as pessoas viajavam, hoje as pessoas já ficam na cidade. Esse ano nós tivemos quase um milhão de pessoas passando pelo Rasgadinho, com festa pela manhã e pela noite. Queremos divulgar mais ainda esse nosso carnaval, que é o espaço onde você não gasta nada e leva sua fantasia e sua alegria. E trago de volta esse ano com a inauguração do novo Centro de Criatividade, o São João do Arranca Unha, que era também muito famoso com um concurso de quadrilha, uma festa tradicional no Cirurgia e tudo isso resgatado graças a minha identidade com a comunidade do Cirurgia.

Fan F1 – O Rasgadinho foi fundamental na sua carreira política?

RV – Não foi  fundamental, mas foi um projeto cultural que a gente trouxe de volta e que deu uma guinada em nosso nome. A gente precisa resgatar e cultivar a nossa cultura. Esse ano a gente fez um resgate de todos os ritmos, um festival de ritmos, onde quem não gostava de um estilo podia se divertir com o de sua preferência. Ele vai crescendo e queira ou não queira vai levando nosso nome junto, porque foi a gente que resgatou. Mas quem acompanha, sabe que eu não faço uso da parte política. Nunca subi no palco, nunca subi em trio-elétrico, nunca fiz discurso, faço de tudo para ficar um pouco afastado, mas mesmo assim as pessoas não conseguem dissociar. Hoje eu atuo na captação de recursos. Com essa crise, nós buscamos não depender de governo e prefeitura e fomos atrás da iniciativa privada.

Após mandato conturbado, Robson é pré-candidato a estadual novamente

Fan F1 – Qual foi o resultado de seu mandato aqui na Assembleia para a sociedade? Quais as principais ações e bandeiras?

RV – Trabalhamos em várias linhas. Acho que poderíamos produzir mais, mas essas coisas todas que aconteceram durante o mandato tiraram o foco. Mas tem muito projeto. Tem um na linha do meio ambiente, voltado para criação de hortas nas escolas. Já tem três escolas que implantaram, vamos buscar ampliar. E outro projeto com moradores de rua que é inserir no mercado de trabalho essa população, principalmente os que sabem ler e escrever. Pegamos os dados de moradores de rua e buscamos o Governo do Estado para viabilizar e ele está acontecendo nessa parceria.

Fan F1 – Que outras ações destacaria?

RV – Busquei sempre junto a secretaria da Segurança Pública atenuar soluções para problemas de comunidades, como a do Cirurgia, uma comunidade que sempre foi pacata e que está sofrendo com a marginalidade. Conseguimos através de diversas cobranças do Governo do Estado resgatar o Centro de Criatividade e entregar este nosso espaço para a comunidade, que servirá para ações de inclusão por meio da cultura para moradores de toda Aracaju.