Vivemos com pressa, vivemos com o pé no futuro, com uma ansiedade em alta voltagem, gerando um MEDO em níveis estratosféricos. Temos medo de engordar, medo de não  alcançar o tal sucesso, medo de fracassar, medo de sair às ruas por medo da violência, medo de não ser feliz, medo de se apaixonar (amar) e não ser correspondido. O medo é rizomático, difuso, incongruente, suas raízes criam  subgêneros da espécie (medo) que nos paralisam e nos aprisionam numa bolha kafkiana. E o AMOR, potente antídoto que poderia extirpar com essa erva daninha, é sufocado, asfixiado dentro do peito. O amor parece estar em fase terminal nessa nova configuração.

Nesse contexto nebuloso de inversão de necessidades o amor não é prioridade, ele é posto em segundo plano na vida cotidiana. Falo, não apenas, do amor Crístico universal, fundamental para reger as interações humanas, mas também do amor romântico que une duas almas ansiosas por afeto. Estamos nos transformando em seres autômatos em matéria de amar, cada vez mais, dentro das relações afetivas, o amor vem sendo relativizado, preterido. Prioriza-se os relacionamentos fugazes, o sexo “fast food”, variado e sem compromisso fomentado pelos APPs e redes sociais.

Dento dessa nova (des) ordem, existem duas vertentes que justificam esse neocomportamento. A primeira delas é a  imensa  “oferta” (pronta para o abate) disponível nos aplicativos de paquera e nos gadgets conectados à Internet. Esse universo  de “ mil possibilidades”  aguça a cobiça sexual e neutraliza o desejo de investir em relacionamentos consistentes, pois isso exige doação e “responsabilidade emocional”, termo que o psicanalista Christian Dunker classifica como sendo “o caráter não contratual e não ‘troquista’ pelo qual aqueles que se amam criam-se e recriam-se uma espécie de implicação mútua com o cuidado de algo que não é propriedade (logo, responsabilidade). Algo que não é nem de um, nem do outro, mas de ambos e que em alguma medida suspende, voluntariamente, a individualidade de cada um.”

Em tese, nada mais é que  uma espécie de capital emocional investido na relação que irá engordar, sobremaneira, o patrimonial inafiançável do casal, ou seja, a solidez do relacionamento que tem bases fincadas no amor e nas múltiplas nuances da reciprocidade: contrato tácito e intersubjetivo firmado entre dois seres com fina conexão.

Na outra ponta da lança estão as relações frívolas e descartáveis que  não criam vínculos, conexões, afetos e cumplicidade. Esse  déficit de intimidade, muitas vezes, gera no indivíduo uma  sensação de vazio . Para preencher sua incompletude, envolve-se numa espiral de novas conquistas com o intuito de se satisfazer, gerando um ciclo emocionalmente vicioso, distanciando-se cada vez mais de si e do outro.

A segunda vertente está mais ligada ao medo. O medo de se machucar ao envolver-se emocionalmente com outra pessoa. Porque amar requer disposição, investimento e principalmente coragem (a antagonista do medo). Amar é o salto no abismo sem garantias, é o voo kamicaze que aniquila nosso ego. Os millennials e a geração Z têm muita pressa, por isso têm medo de relacionamentos que possam comprometer suas individualidades e projetos de vida. Para se defenderem de eventuais contratempos, erguem muros de proteção em torno de si. Bloqueando sentimentos e redefinindo prioridades.

Essas duas gerações que sucederam a geração X não sabem lidar com frustrações. As pessoas se autoboicotam por medo de “sentir”, para isso criam estratégias para reduzir o atrito com a realidade, optando por caminhos mais fáceis (relacionamentos fugazes), pois temem sofrer por amor: clássicos malaxofóbicos.

Bônus extra: MALAXOFOBIA é um vocábulo de raiz grega que significa medo de amar. Na psiquiatria o termo é usado para qualificar indivíduos que têm aversão aos jogos amorosos e à sedução.