“Eu não votaria em João Daniel e Rogério, mas não seria impedimento de entendimento com o PT”

O pedido e pressão dos petistas Rogério Carvalho e João Daniel para exoneração de Luciano Pimentel, da função de superintendente regional da Caixa Econômica Federal em Sergipe em 2014, marcou o bancário baiano, e influenciou sua decisão de disputar um mandato de deputado estadual nas eleições daquele ano.

Luciano como filiado ao PSB, sofreu à época, as consequência do rompimento do seu partido com o governo Dilma (PT). Além da exoneração, foram solicitadas duas auditorias sobre o período de sua gestão. Com carreira vitoriosa no mundo corporativo, o habilidoso e comunicativo deputado estadual Luciano Pimentel (PSB), revela que ainda sente muita emoção ao lembrar desses fatos.

O apoio a Rogério em 2014 parece ter sido protocolar, material de campanha de Luciano não tinha nome de Rogério e em fotos não há cumprimentos cordiais.

“No primeiro momento foi de muito desgaste para mim e minha família…inicialmente não pensava em ser candidato…algumas pessoas fomentavam…depois desse episódio me motivei e pensei que era hora de ver qual a repercussão dos fatos na sociedade”

Sua carreira como bancário iniciou aos 18 anos, em 1980. Os primeiros passos foram no Banco Econômico e em seguida no Banco do Estado da Bahia (Beneb), prestou concurso para o Banco Nacional de Habitação (BNH) onde foi aprovado. Em 1986 o BNH deixa de ser autarquia do Governo Federal e é incorporado a Caixa Econômica Federal, assim se dá a chegada de Luciano a Caixa.

Presença contínua em eventos da Caixa deu a Luciano uma rede de contatos. Aqui inauguração da agência de Carira(SE).

Aos 60 anos, o brumadense Luciano Pimentel, se prepara disputar a reeleição, garantindo não ter a preocupação e expectativa de ser tratado como prioridade do partido. Entre outros assuntos, ele avalia Jackson como governador e diz achar muito difícil sua eleição para o Senado, comenta a derrota de Valadares Filho em 2016, assegura que não se sentir fritado no PSB e diz que Joaquim Barbosa poderá ter dificuldades de penetrar onde o eleitorado é mais pobre, mas crescerá junto aos eleitores do Sul e Sudeste que em sua opinião, são mais exigentes.

” O senador Valadares me disse que serei o candidato prioritário do partido, por ser o único parlamentar do PSB, mas não busco isso. Não quero prioridade, quero tratamento igualitário, quero paridade”

Confira entrevista completa


O histórico atrito com Rogério e com João Daniel e o surgimento da candidatura em 2014


Fan F1 – O que motivou sua saída da superintendência da Caixa em 2014?

LP – O PSB lançou a candidatura do saudoso Eduardo Campos a presidente e houve o rompimento nacional com o PT. Rogério Carvalho e João Daniel pediram a minha exoneração, inclusive fizeram manifestações e pressionaram pela minha saída e além disso, pediram duas auditorias, inclusive o que eles achavam que me prejudicaria, foi talvez um dos momentos mais emocionantes de minha vida. A conclusão foi uma sugestão para que as outras superintendências trabalhassem da forma como a gente trabalhava aqui. Isso me deixou extremamente emocionado, até hoje me emociono quando me lembro. Em seguida, reconhecendo meus méritos a Caixa me mandou para Itália, na região da Toscana, com tudo pago durante 17 dias, conhecendo os principais pontos do país. Após sair da superintendência ganhei essa premiação.

“O PT no primeiro momento, eu não diria nem o PT, eu diria alguma pessoas do PT criaram num primeiro momento muito desgaste para mim, para minha família, foi uma coisa que me abalou muito à época”

Fan F1 –  Então o resultado da campanha do PT contra o senhor foi lhe proporcionar premiação e emoção?

LP– O PT no primeiro momento, eu não diria nem o PT, eu diria alguma pessoas do PT criaram num primeiro momento muito desgaste para mim, para minha família, foi uma coisa que me abalou muito à época, tem uma afirmativa minha daquele momento, quando disse que não faria com eles o que eles estavam fazendo comigo. Esse é um fato que está registrado na minha história.

Fan F1 – Os fatos de 2014 seriam um impedimento de aliança entre o PSB e o PT em 2018?

LP –  Não, não tenho nenhuma objeção. Tenho muitos amigos e apoiadores no interior que são do PT, inclusive dirigentes de diretórios e sindicatos. Votaram na passa e estarão nessa. Nenhuma situação pessoal pode ser um dificultador de um projeto maior. Seu eu lhe disse que eventualmente votaria em João Daniel e Rogério Carvalho, eu não votaria.

Fan F1 – Mesmo que Rogério fosse o candidato numa coligação com o PSB?

LP – Não votaria, mas é uma questão pessoal, não significa que isso seja impedimento para nenhum tipo de entendimento.

Fan F1 – Aliança feira, Rogério senador da aliança e o senhor não vota?

LP – Não sei se há conversas com o PT, nunca foi tratado comigo, se houver eu tenho muita dificuldade de votar em Rogério.

Fan F1 – Em 2014, sua candidatura já vinha sendo trabalhada durante o seu tempo na superintendência ou ela surge a partir desse confronto com o PT?

LP – Eu não pensava em ser candidato. Durante o período que estava na Superintendência algumas pessoas começaram a fomentar. Eu analisei que já tinha chegado ao cargo máximo que eu teria a chegar aqui em Sergipe. As pessoas incentivando e eu comecei a pensar e me apaixonar pela ideia. Alguns amigos eram contrários, a família totalmente contrária. Quando sai da superintendência eu decidi, os fatos ocorridos foram um desafio, vou sair e vamos ver qual a reação da sociedade frente a isso.

Luciano mantinha contato frequente enquanto superintendente da Caixa com os prefeitos de Sergipe.

Fan F1 – O grande volume de projetos de habitação em sua gestão, foram fundamentais para seu sucesso eleitoral?

LP – Eu já era conhecido no estado inteiro, sempre gostei de visitar, sempre viajei muito, sempre fui aos eventos. As pessoas tentaram vincular a grande quantidade de programas de habitação de baixa renda a minha eleição, houve acusações de pessoas que estavam sendo contrariadas, porque eu não aceitava contratar da forma como queriam. No seguimento privado, de imóveis de padrão médio, minha gestão bateu recorde de investimentos. Já havia coordenado na época de FHC um projeto de arrendamento residencial e isso me deu conhecimento. Nunca fui aos empreendimentos para dizer que a construção foi em minha gestão, sempre fiz visitas institucionais, não tem um empreendimento que eu tenha ido na porta das pessoas pedir voto e assumindo a realização da obra. Para todos os locais que eu vou há o reconhecimento de prefeitos e autoridades que já foram atendimento por mim na Caixa. Até mesmo os que hoje são oposição ao grupo que participo, nunca recebi críticas.

“Nunca fui aos empreendimentos para dizer que a construção foi em minha gestão”

Fan F1 – Esse bom relacionamento foi fundamental para sua chegada o meio político?

LP – Na hora que você trabalha as ações e projetos do governo, a coordenação de projetos quando eu era gerente de mercado, isso lhe dá o contato com diversas pessoas e isso criou o relacionamento, que era institucional.


A carreira como bancário


Fan F1 – Qual o caminho percorrido na sua carreira como bancário?

Luciano Pimentel (LP) – Trabalhei no setor bancário desde os 18 anos, comecei pelo Banco Econômico, passei pelo Banco do Estado da Bahia (Baneb) e depois passei num concurso público para o Banco Nacional da Habitação, o BNH, em 1986 com a extinção do BNH e a incorporação a Caixa, passei a ser funcionário da Caixa Econômica Federal. Toda a minha vida foi em banco. Na Caixa fui assessor de recursos humanos, gerente de núcleo de desenvolvimento, instrutor do programa de qualidade e desenvolvimento, gerente geral de agência começando em Propriá em 1996 e devido aos ótimos resultados em seis meses fui convidado a assumir agência em Aracaju, era difícil isso acontecer,  depois que passei a gerenciar agências,como gerente geral comandei grandes unidades em Aracaju. Fiz uma seleção para gerência regional e comecei como gerente regional de grandes clientes, gerente de mercado de estados e municípios, era minha responsabilidade a parte de contratos de todos os projetos do governo federal voltado aos municípios, exceto a parte habitacional. Foi nessa época que fui convidado a ser secretário de Planejamento de Aracaju por Edvaldo Nogueira em 2006, eu não desejava sair da Caixa naquele momento, mas atendi um pedido de Marcelo Déda. Quando sai da secretaria em 2008, assumi a superintendência da Caixa, onde passei seis anos até 2014.

Ao lado de Déda no Seminário Integração Estado e Municípios em 2012.

Fan F1 – Além da viagem já citada, que outras premiações Luciano conquistou na Caixa?

LP – Durante os anos que eu fui superintendente fiquei em primeiro lugar, segundo lugar e quinto no lugar no Brasil na avaliação da Caixa, eu era só o maestro, a equipe da Caixa aqui era destaque nacional em toda premiação que tinha. Fui para Copa da África, fui para França, Itália, tudo com premiações. É uma história que me dá muita alegria. A melhor avaliação que tenho é a dos colegas de trabalho. Como gestor você sempre desagrada a alguém, mas hoje tenho certeza que mais de 90% das pessoas que trabalharam comigo reconhecem meu trabalho e muitos lutaram e me ajudaram para que eu me elegesse deputado estadual, numa demonstração de carinho e reconhecimento.


Candidatura de Jackson ao Senado, pré-candidaturas do PSB em 2018


Fan F1 – A candidatura de Jackson ao Senado é viável?

LP – Acho muito difícil, muito difícil ele se eleger devido ao histórico. Agora com a repercussão nacional, do caso do Centro de Nefrologia, uma situação vergonhosa para qualquer governante. Sobre o governo dele, ele não tem o que mostrar, não tem o que dizer. O que ele fez? Destruiu a Previdência, porque não buscou alternativas, não conseguiu trazer nada para o Sergipe, não tem nada de novo no estado. Se fala muito na termoelétrica, uma geração de energia, muitos países do mundo não aceitam uma usina como essa, ela tem alto risco, usa muita água para resfriamento, é poluidora porque reduz apenas em 25% o gás carbônico que joga na natureza. Eu acredito que essa empresa nem veio por força do governo, ela escolheu o estado. É bom para economia? É. Mas será que vai ser bom no futuro? A poluição? O risco? Qual a consequência futura? Entre utilizar o gás que ela importa e a energia solar, qual o melhor? Uma usina de energia solar não tem nenhum dano ambiental, ai o governo veta o nosso projeto e festeja com toda pompa a energia a gás, um gás que vem comprimido, congelado, tem um processo de resfriamento que usa uma quantidade de água enorme. Os países mais evoluídos do mundo não aceitariam essa usina.

Visitou a termoelétrica, na última sexta-feira, 27, e fez questionamentos sobre a compensação ambiental no projeto apresentado aos gestores do empreendimento.

“Acho muito difícil, muito difícil ele se eleger devido ao histórico. Agora com a repercussão nacional, do caso do Centro de Nefrologia, uma situação vergonhosa para qualquer governante”

Fan F1 – A candidatura do PSB em Sergipe é pra valer?

LP – É pra valer. A pré-candidatura de Valadares Filho, superou o que se falava de terceira via e ao meu ver é a primeira via. Pesquisas para orientação interna tem demonstrado a viabilidade da pré-candidatura de Valadares Filho, e eu com toda sinceridade e convicção, no meu entendimento ele será vitorioso. Eu estou viajando, rodando o interior, e chegando em Aracaju após as dez da noite, faço isso quase que diariamente, e no interior só ouço isso, que a pré-candidatura de Valadares Filho é moderna e representa a renovação. Por isso, ela além de irreversível ela será exitosa.

Para Luciano a recepção que Valadares Filho tem recebido, não permite alternativa ao partido, a não ser manter a pré-candidatura.

Fan F1 – Com quem o PSB tem dialogado para viabilizar essa pré-candidatura e formar aliança?

LP – O PSB tem dialogado com diversos partidos. A gente sabe, que as coligações só se definirão no momento final, sempre foi assim e não será diferente. As pessoas cobram: quem é o vice de Valadares Filho? Sempre respondo que não temos ainda e digo pergunto sempre quem são os vices dos outros. E não tem ainda porque não é momento. É natural essa ansiedade, nenhuma coligação formou chapa. Acho que a pré-campanha está sendo muito bem conduzida, o deputado está sendo extremamente dedicado. Apesar de jovem é experiente, já é deputado a quatro mandatos, foi candidato a prefeito de Aracaju duas vezes. A última perdeu no segundo turno, mas hoje se sabe porque ele perdeu as eleições.

Fan F1 – Qual foi o motivo?

LP –  Muita interferências, o marketing que foi muito violento, está sendo apurada questões financeiras que envolveu a campanha do adversário pelo Ministério Público Federal, então foram vários fatores que levaram a essa derrota. Dona Maria do Carmo não apoiava a candidatura de Valadares Filho. Tenho respeito enorme a ela, por tudo que ela e DR João já fizeram por Sergipe. Ela foi lá para dar um abraço num amigo dela de família, que era o prefeito de Salvador, que veio aqui para dar o incentivo ao outro jovem que passava pelo mesmo problema que ele, quando foi candidato em Salvador, quando as pessoas diziam que ele era jovem e não tinha experiência para governar. Ele veio mostrar o que fez por Salvador. Então houve aqui que o senador Valadares chamou de marketing do mal, atribuindo a Valadares Filho o apoio de João. E nosso marketing não soube desmontar isso, reverter. Hoje eu penso que como não havia apoio nenhum, Valadares deveria dito: o candidato sou eu, quem vai administrar sou eu, e quem quiser votar é bem vindo.

“Não existia acordo. Mas ele deveria ter dito que não podia impedir que ninguém votasse nele e dizer que não tinha compromisso político de gestão”

Fan F1 – Perder tempo negando foi pior?

LP – Não foi nem ter negado, porque não existia. Não existia acordo. Mas ele deveria ter dito que não podia impedir que ninguém votasse nele e dizer que não tinha compromisso político de gestão. Tenho um exemplo de uma candidatura no interior do PSB, o camarada perdeu por 40 votos. Ele era alto, magro e calvo. Num determinado momento da campanha o adversário dele para tentar constranger ele, passou a apelidá-lo de pinto pelado. Sabe o que ele fez? Ao invés de reagir reclamando, ele mandou confeccionar um pinto pelado maior do que ele e colocava na frente de suas caminhadas, ao final os militantes da campanha era que chamavam ele de pinto pelado, e os adversários ficaram sem ação e ele perdeu por 40 votos. Então a reação aqui em Aracaju deveria ter sido nesse sentido.

“Talvez em locais de um eleitorado mais pobre ele tenha dificuldade de entrar, como na região Nordeste e Norte, mas quando vai para o Sul e Sudeste o nível de exigência com relação aos candidatos é muito alto”

Fan F1 – A pré-candidatura de Joaquim Barbosa é viável?

LP – É uma candidatura extremamente viável, é a vontade do povo de mudar, de não aceitar os métodos antigos, talvez em locais de um eleitorado mais pobre ele tenha dificuldade de entrar, como na região Nordeste e Norte, mas quando vai para o Sul e Sudeste o nível de exigência com relação aos candidatos é muito alto. E aqui a gente já percebe uma mudança, as pessoas querendo conhecer mais e melhor os candidatos, por isso, eu acho que esse cenário atual ele poderá ser totalmente alterado, em todas as circunstâncias, as pessoas estão pensando diferente, os políticos precisam mudar a sua prática, deixar de fazer o que não deve para segurar um apoio de uma liderança.


Conjuntura nacional e avaliação de Temer, Jackson, Belivaldo e Edvaldo 


Fan F1 – Como o deputado está acompanhando esse cenário nacional com a prisão de Lula?

LP – O país mudou. Muitos ainda não se aperceberam, mas o país mudou e mudou para melhor. A grande lição que ficou é que a um tempo atrás se alguém falasse que Lula seria preso, ninguém acreditaria, era comum alguém falar e as pessoas não acreditarem. Ou se falava que se viesse a prisão o país iria parar, em São Paulo se fecharia tudo, as empresas não iriam funcionar, os bancos iriam fechar, se pintava um quadro de caos. Lula foi preso e não aconteceu absolutamente nada, a não ser um grupo de militantes do partido, mas a sociedade de uma forma geral não reagiu, a sociedade cobra muita verdade, muita sinceridade. Não posso dizer jamais que eu não considero Lula o maior presidente convivi, eu não vi em nenhum momento outro presidente melhor que Lula. Dilma foi uma tragédia, mas Lula foi um excelente  presidente. Mas se verdadeiro forem os atos atribuídos a ele, ele não deveria ter cometido, se ficar realmente comprovado ele perdeu uma grande oportunidade de ficar na história como o maior líder do país, o mais conhecido no mundo e terminar a vida dessa forma, numa prisão, certamente não será candidato, vão manter o nome para ser um fato mobilizador de votos para o PT, mas certamente o TSE não irá permitir uma candidatura dele. Dentro dessa visão de que o pais mudou, o Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, se filiou ao PSB, mas não deu nenhuma entrevista assumindo que é candidato, e ele já pontua com 10 ou 12% nas pesquisas.

Fan F1 – Avaliação do governo Temer…

LP – Um governo extremante perdido, muitas denúncias, tetou fazer alguma coisa, do ponto de vista da economia melhorou, o governo Dilma estava um descontrole geral, a equipe do Banco Central de Temer, a equipe da Fazenda e do Planejamento ele acertou nas escolhas e deu liberdade, isso foi muito positivo, ele deu liberdade para adotarem as medidas necessárias e gente está vendo os resultados, a inflação recuou, PIB melhorou, mas os aspecto político prejudicou muito. Quando ele sair da presidência, ele e alguns ministros terão consequências sérias. Pessoas ligadas a ele, amigos e ex-ministros estão presos, os homens do presidente estão presos.

Da tribuna foi um crítico ferrenho de JB desde o rompimento em 2016.

Fan F1 – Avaliação do governo Jackson Barreto…

LP – Péssimo. Eu vejo o governo Jackson Barreto como um período perdido para Sergipe. Fiz vários pronunciamentos e pedi que alguém me apontasse um projeto estruturante para Sergipe. Não tem nada, não foi construído nada. A Secretaria de Planejamento não existe como planejamento, pode fazer qualquer atividade, menos planejamento. Um governo sem norte, sem orientação. O pouco que foi feito, foi o que Marcelo Déda deixou. Qualquer que seja o próximo governante vai ter muito trabalho, porque não tem nada, não foi feito nada, vai ter que começar do zero.

Fan F1 – Avaliação desses primeiros dias de Belivaldo Chagas…

LP – Belivaldo é um amigo pessoal, uma pessoa por quem tenho o maior carinho. Éramos do mesmo partido, ele decidiu acompanhar Jackson e eu fiquei no PSB, não me cabe julgá-lo por causa disso. É um homem correto e trabalhador, vejo que nesses primeiros dias ele tentado mudar a cara do governo, até descaracterizando um pouco o que foi o governo de Jackson. Não vejo que vá conseguir visto que ele tem pouco tempo até dezembro. Para mudar o histórico desse governo vai ser difícil, porque ele foi vice e traz o desgaste de Jackson, todo desgaste de Jackson vai para Belivaldo.

Luciano foi secretário de Planejamento de Edvaldo, e sua esposa, Telma Pimentel, foi presidente da Fundat, ambos da gestão encerrada em 2012

Fan F1 – Avaliação do governo de Edvaldo?

LP – É muito cedo ainda para avaliar a gestão de Edvaldo. Ele tem cometido muitos erros, como a questão do IPTU que ele dizia que iria revogar, não revogou e a Justiça fez esse trabalho que deveria ser feito por ele. Acho que ainda tem muita carência na gestão dele, precisa ser melhorada, não temos nada de novo, ele está conseguindo tocar os projetos da administração passada, alguns ele está conseguindo destravar, mas da gestão dele especificamente não conheço nenhuma proposta, não vemos nada, ele está dando continuidade ao que João deixou, ao que deixou de fazer ou deixou de projeto. Eu acho que é uma administração que não vai evoluir muito, não vejo na característica de Edvaldo que ele vá evoluir para ter uma finalização positiva.


Chegada a Alese, mandato, pré-candidatura a reeleição e possibilidade de ser “fritado” no PSB…


Fan F1 – Sua chegada a Alese é num momento conturbado de investigações. Pergunta que fazemos a outros parlamentares, como era o clima na Alese?

LP – Assumi e ainda no recesso protocolei um projeto de lei para acabar com as subvenções. Houve questionamentos quanto a constitucionalidade, deputados falavam que havia vício de iniciativa. Eu fui ao Senado e consegui que a equipe de consultoria analisasse a proposta e a consultoria do Senado atestou que o projeto não tinha vícios e poderia sim tramitar normalmente na casa. O projeto acabava com as subvenções e instituía a emendas parlamentares.

Fan F1 – Como funcionaria?

LP – Nos moldes da Câmara Federal. O deputado indica a obra e o Governo contrata realizando todos os procedimentos legais, não teria mais o envolvimento de associações. Cheguei a ir ao Banese para analisar os passos e deixar as coisas bem amarradas. O Banese usaria a mesma sistemática que a Caixa usa quando se trata de recursos federais. Cheguei a emendar o orçamento, mas a coisa não foi para frente. Hoje analiso que o presidente Luciano Bispo acertou na decisão de não deixar tramitar. O momento era muito controverso e tomar uma nova decisão ali naquele momento não era o mais indicado. Quem sabe na próxima legislatura, passada a régua no que houve podemos buscar aprovação, assim como já acontece em outros estados, a exemplo de Pernambuco. O deputado estadual precisa de alguma forma concreta de poder ajudar os municípios assim como o deputado federal tem. Porque não? Quem é da oposição não consegue resolver nenhuma pendência na maioria das vezes, porque fica dependendo da boa vontade do gestor. Com esse mecanismo ele pode apresentar a emenda e ajudar a sua base.

Projeto que beneficiava transporte escolar com isenção do IPVA foi um dos vetados por Jackson

Fan F1 – Qual resultado de seu mandato o deputado Luciano Pimentel vai apresentar a sociedade?

LP – Apresentei projetos polêmicos e importantes. A exemplo do que cria a política de energia solar fotovoltaica, o Governo vetou, o veto foi mantido pela Alese. Isso demonstra a falta de visão do ex-governador Jackson Barreto, o país inteiro só fala de energia, nos últimos anos a energia subiu com índices acima do IGPM, temos uma região propícia para produzir energia solar. Fui a Bom Jesus da Lapa na Bahia para conhecer um projeto de geração de energia solar, já estão iniciando novo projeto, a Bahia está dando exemplo e Sergipe vetou. Fiz um entendimento com a Procuradoria do Estado e reapresentei o projeto e espero que tenha celeridade na tramitação. Apresentei a regulamentação dos food truck, outro que regulamenta a visita de animais de estimação a pessoas internadas em unidades hospitalares, são tantos que me falha a memória. Fiz um projeto de remissão de pena pela leitura, também foi vetado por Jackson Barreto, tudo que se apresenta ele veta.

Fan F1 –  Como funcionaria esse projeto?

LP – O preso poderia ler um livro por mês, não a sua escolha, uma comissão pedagógica definiria os títulos que poderiam ser lidos, se escolheria livros com temas que ajudassem o preso na reintegração, títulos sobre humanismo, família, ética. E não bastaria leitura, ele teria que apresentar uma síntese do que ele leu e essa síntese ter avaliação com nota acima de seis, para que ele tivesse quatro dias remissos em sua pena. Ao passar do tempo, esse presidiário se ressocializaria e criaria o hábito da leitura.

Fan F1 – Vai de consciência tranquila para a reeleição?

LP – Consciência tranquila e sensação de dever cumprido. Fiz meu papel enquanto parlamentar, levarei a sociedade o que fiz e espero a avaliação. Sou muito tranquilo, se a sociedade entender que não devemos continuar e que é preciso renovar vou para casa de consciência tranquila.

Fan F1 – O senhor defende o limite de mandatos para parlamentares?

LP – Eu vejo com muito gosto, realmente deveria ter um limite. Hoje a gente só tem o l,imite da sociedade, que define quantos mandatos o cidadão deve ter. No Rio tem o Miro Teixeira que tem 10 ou 11 mandatos, a sociedade do Rio entende que é importante o mandato dele e renova. Há muita controvérsia nisso. A vida pública exige muito do parlamentar. Você perde um lazer, tem um desgaste grande. Tem, o lado bom, da aproximação, do conhecer pessoas e ampliar o conhecimento da realidade. A pessoa que já trabalhou desde os 18 anos, 38 anos de atividade bancárias, que tem meta diária, cobrança, para fechar no hoje. No início do mandato estranhei muito, fui habituado a praticidade. Quando eu me perguntava cadê as metas, cadê os objetivos? A iniciativa privada enriquece o currículo e a vida de qualquer pessoa, porque você está focado constantemente.

Fan F1 – Falta isso ao serviço público?

LP – Acho que falta, falta esse…a prática do serviço público tem mudado muito, essa coisa do se não fizer tanto faz, se der resultado tanto faz. Eduardo Campos em Pernambuco deu um exemplo de gestão, ele trabalhava com indicadores, metas e objetivos, cobrando de seus secretários o cumprimento de cada uma delas. O prefeito de Salvador, o jovem ACM Neto a mesma coisa, administra com dados como se estivesse administrando uma empresa. Isso no bom sentido, para que a prefeitura ofereça resultado a sociedade. Essa visão é importante, tem que sair do se der deu, do olhar o relógio para ir para casa. A Caixa é um grande exemplo de empresa pública. Com todo papel social, com todo volume de serviços, mas o funcionário Caixa é tratado como se estivesse num empresa privada com metas a cumprir.

“Eu poderia até pedir prioridade por já ser parlamentar, mas não, eu quero tratamento igualitário, não quero prioridade, quero paridade”

Foto: Portal Lagartense

Fan F1 –  Sua candidatura está sendo preterida por outras candidaturas dentro do PSB?

LP – Fala-se muito que o senador Valadares estaria querendo preterir minha candidatura em favor de Edney Caetano. Todo partido tem seguimentos, a gente toda as condições de fazer hoje ao mínimo dois deputados, se minha candidatura, crescer, se Edney crescer, se Carlos Magno, Lucas Aribé, Niully, enfim todos os pré-candidatos do partido se fortalecerem é bom para todos. As pessoas do partido podem decidir em quem votar, eu não tenho sentido nenhum tipo de ações. Se houvesse, quem primeiro iria reagir seria eu, eu não aceitaria uma situação dessas, perceber que estou sento fritado, que um está sendo melhor atendido, que o partido está dando mais condições a um do que a outro, ai sim teria motivo para reagir, mas não vejo isso. Tenho uma relação muito respeitosa com o senador, um dos maiores entusiastas de minhas candidaturas é o irmão dele, o ex-prefeito e ex-deputado, José Matos Valadares, que foi o responsável de colocar o senador na vida pública, ele me ajuda e coordena todo agrupamento lá em Simão Dias que me apóia, então veja, todo o grupo da cidade que é base eleitoral da família Valadares está em minha campanha, tive 3.880 votos lá em 2014, como posso está me sentindo preterido, está sendo fritado? Período pré-eleitoral tem muita gente querendo causar indisposição, na política se faz muito isso, para criar o mal estar, eu não trabalho nessa perspectiva, não entro nessa. Tenho certeza absoluta que o tratamento a ser dado a mim será igualitário. Eu poderia até pedir prioridade por já ser parlamentar, mas não, eu quero tratamento igualitário, não quero prioridade, quero paridade. Sou até provocado por outros deputados, “rapaz, você é deputado, você deveria está sendo priorizado pelo partido”, e eu nunca busquei isso. O senador Valadares me disse que eu seria o candidato prioritário, mas eu não busco isso.

Fan F1 – Algo a acrescentar?

LP – Apenas agradecer a possibilidade e a oportunidade de poder estar conversando com você e de contar um pouco a minha história.

Fotos: Redes Sociais de Luciano Pimentel