“Vi ele fazer muita coisa errada, mas ele já não estava bem. A própria irmã dele e que era secretária de Governo, Marlene Calumby, levava documentos que ele assinava sem nem saber o que estava assinado”.

Esta declaração foi dada pela senadora Maria do Carmo Alves em entrevista ao radialista Narcizo Machado durante o Jornal da Fan desta sexta-feira, 8, ao se referir à gestão do ex-prefeito e seu esposo João Alves Filho.

João saiu da prefeitura no final de 2016 completamente degastado fisicamente e politicamente. Maria do Carmo revelou que no final da sua gestão ele nem ia mais à prefeitura e que Marlene Calumby era a responsável pelas decisões e encaminhamentos da gestão. “João está com Alzheimer e quando estava na prefeitura já estava doente, mas infelizmente só percebemos muito depois. Hoje o quadro da doença nele é extremamente avançado”, lamentou.

Mesmo com todos esses problemas, em 2016 João ainda disputou a reeleição, mas saiu derrotado do pleito. Maria do Carmo disse que tentou por diversas vezes impedir a situação, mas ele foi incentivado por amigos e inclusive, pela irmã, Marlene Calumby.

Atualmente o ex-prefeito mora em Brasília com a senadora. Ela contou que já recebeu 20 notificações judiciais por conta de irregularidades na prefeitura e que agradará os procedimentos jurídicos para que as devidas providências sejam adotadas. “Uma coisa é certa. João não tem condições de responder por mais nada”, afirmou.

Senado

Sobre sua atuação, Maria disse que ao encerrar este mandato não disputará mais nenhum cargo eletivo e disse que já viu muita “bagaceira” no cenário político para justificar a falta de estimulo em continuar.

Aos 77 anos, Maria está em seus terceiro mandato como senadora da República. Ela lembro que desde a década de 1980, quando João Alves era governador de Sergipe, já participava da gestão, principalmente na área da assistência social.

“Criamos o programa Pró-mulher, que promovia mutirões para exames de lâmina e de mamografia. Na época percebemos uma grande redução dos casos de câncer em nosso estado. Infelizmente depois que João deixou o Governo o programa foi abandonado”, lamentou, informando que acompanhou a polêmica que envolveu a “Carreta da Mulher” e que torce para que o veículo percorra o estado e cumpra sua função plenamente.

A senadora ainda lembrou que foi a autora do Projeto de Lei que prevê o “Botão do Pânico”, mecanismo de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica. O projeto propõe que as mulheres recebam um dispositivo móvel de segurança que envia alerta imediato à polícia em caso ameaça ou agressão.

Apesar de ter destacado o seu desejo de não concorrer mais a nenhum cargo eletivo, a senadora garantiu que permanecerá atuante na política sergipana enquanto puder.

Visitas

Questionada sobre a ausência de visitas ao  ex-prefeito João Alves, como já chegou a circular em veículos de comunicação, a senadora minimizou e disse que João Alves é trazido para Sergipe apenas durante o recesso parlamentar, diante das dificuldades enfrentadas para locomoção, e que em sua estadia na capital sergipana, o ex-prefeito recebeu visita de quase todos os seus amigos.