(Foto de capa – Jorge Henrique)

As obras de mobilidade urbana já começaram em Aracaju – implantação dos corredores, de semáforos inteligentes e melhoria dos terminais e de abrigos de ônibus – estão em andamento e sob aprovação de usuários e rodoviários, mas para o presidente do Setransp, Alberto Almeida, as iniciativas, que são boas, e essenciais formam apenas uma das estratégias a serem adotadas para melhorar o trânsito e o tráfego de pessoas e veículos na capital sergipana. Ele entende que é preciso outras ações de investimentos públicos, como a desoneração de custos e a inserção de subsídios financeiros no sistema, já adotadas nas cidades de São Paulo (SP) e Recife (PE).

Segundo Alberto Almeida, não há uma receita pronta para o sucesso do transporte coletivo, mas segundo ele, os modelos adotados nas capitais pernambucana e paulista são exemplos que já demonstravam grandes sinais de melhoria para o sistema de transporte público. “Esses sistemas, que hoje são afetados pela grave crise financeira estabelecida no Brasil e passam por um sério desinvestimento, estariam bem pior se os investimentos públicos não tivessem sido feitos anteriormente”, afirmou.

Ações de investimento – Em Pernambuco, o Governo do Estado implantou o BRT na região Metropolitana de Recife em 2014, e fez com que 2% da população deixasse o carro na garagem e passasse a fazer uso do Bus Rapid Transit. Pesquisa feita em 2017 pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) apontou que houve diminuição de 16% no tempo de deslocamento dos 121 mil passageiros transportados diariamente pelo sistema.

No caso de São Paulo, o Governo do Estado atua na aplicação de subsídios para redução do valor da tarifa. O último cálculo, em 2018, (custos com o transporte e número de passageiros) feito pela prefeitura da capital paulista, colocou o valor da tarifa em R$ 6,66 aos passageiros. Com a aplicação do dinheiro público no transporte, foi possível manter o valor da passagem em R$ 4,30.

Obras são uma das ações para melhorar o trânsito e o tráfego de pessoas e veículos em Aracaju. Foto: Jorge Henrique

Custos altos – Mesmo apontando que não há uma receita pronta para melhorar o transporte coletivo em uma cidade, Alberto Almeida, disse que a desoneração do sistema, muda a realidade das cidades onde é aplicada. “Infelizmente temos exemplos de cidades que adotam este modelo, mas de forma parcial, como é o caso de Aracaju, que reduziu o Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2%, mas ele ainda existe. Precisamos da redução de tributos diretos ao transporte, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Diesel, segundo maior custo para empresas, só ficando atrás dos gastos com funcionários”, lamentou.

De acordo com dados do Setransp, os custos das empresas com mão de obra representam 45,38% do valor arrecado, combustível fica com 23,14%, impostos e taxas somam 7%, veículos, rodagens e peças 22,57%. Essa oneração pode ser agravada quando, além da ausência de investimentos no transporte coletivo, o poder público contribui para a queda da receita das empresas, o que vai resultar em uma tarifa mais cara para utilização de um transporte sem a qualidade devida.

Gratuidade – Diariamente mais de 220 mil pessoas utilizam o transporte coletivo na capital sergipana. Desses, 6% são beneficiados pela gratuidade, segundo o Setransp. “Como aqui a prefeitura ou o estado, não fazem o aporte necessário para cobrir o valor que esses passageiros deveriam pagar, sobe o valor da passagem para os outros usuários, já que o cálculo para tarifa leva em conta os custos do sistema pela quantidade de passageiros”, explicou Alberto Almeida.

A Prefeitura de Aracaju informou que não concede nenhum tipo de subsídio ao sistema de transporte público e que o serviço é custeado 100% pelos passageiros através do pagamento da tarifa.

Josefa disse que o sistema tem melhorado com as obras realizadas. Foto: Fan F1

Obras de mobilidade – Usuária do sistema de transporte público, a autônoma Josefa dos Santos, avalia os investimentos em obras fundamentais. “Para todo lugar que vou, faço uso do transporte coletivo. Já enfrentei dias bem difíceis no trânsito. Quando os ônibus começaram a usar a faixa exclusiva eu senti que melhorou muito. Chego bem mais rápido. Agora estou vendo obras na cidade, espero que melhore mais para gente que é usuário. Assim como melhorou há mais de 20 anos, quando Aracaju passou a ter terminais de integração me fazendo gastar menos, já que com uma passagem é possível pegar vários ônibus”, disse Josefa.

E é esse o investimento que a PMA afirma que faz em contrapartida a não concessão de subsídio à tarifa. A PMA esclareceu que está trabalhando para melhorar o serviço por meio de obras e ações, como a instalação do Consórcio Metropolitano do Transporte Público, que envolve a capital e os outros três municípios da Grande Aracaju, reforma dos terminais de Integração da Atalaia, do DIA e construção de um novo Terminal de Integração do Mercado e a instalação de semáforos inteligentes em 150 cruzamentos da cidade.

A construção de quatro corredores de ônibus – a obra do primeiro corredor já foi iniciada na avenida Beira Mar – e os demais, no Jardins, Hermes Fontes e avenida Rio de Janeiro, ainda sem data definida para iniciar, fazem parte do Plano de Mobilidade Urbana. Serão quatro grandes corredores de ônibus em Aracaju, o que segundo a PMA, vão agilizar os percursos feitos pelos veículos do transporte público.

Mais da metade da população anda de ônibus

Os ônibus trafegam em média em 20% das vias de uma cidade que segue em obras. Foto: Jorge Henrique

O transporte coletivo de passageiros é responsável pelo transporte de 65% da população das capitais brasileiras, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Setransp aponta que os ônibus trafegam em média em 20% das vias de uma cidade, ou seja é muito mais gente em um só espaço, causando um impacto bastante reduzido se comparado aos carros de passeio, que em média são usados por um pessoa, ocupando um espaço em que caberiam outras dez e usando 75% das vias de uma cidade.

Willams Lima, rodoviário há 13 anos. Foto: Fan F1

Se o ônibus é responsável pelo ir e vir do trabalhador é o encarregado, também de proporcionar a renda e o trabalho a centenas de trabalhadores.”Trabalho como rodoviário há 13 anos. Quando vejo notícias sobre os altos índices de desemprego, só posso agradecer a Deus por estar trabalhando em uma função  que eu sinto muito prazer. Todos os dias eu rezo para que a empesa esteja bem financeiramente e que me mantenha contratado por muito mais anos”, apontou o motorista Willams Lima.