De 1º  a 15 de abril de 2018, 35 jovens foram mortos por ação violenta em Sergipe. Este quantitativo foi apontado nos relatórios do Instituto Médico Legal de Sergipe (IML) . Para classificar a idade jovem, o Fan F1 usou a faixa etária dos 15 aos 29 anos, seguindo os parâmetros definidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Os dados do IML apontam que 60% dos assassinatos ocorreram na Grande Aracaju, a maior parte na capital Aracaju, depois Nossa Senhora do Socorro, e com índices menores nas cidades de Laranjeiras, Itaporanga D’ajuda e Barra dos Coqueiros.

A segunda região com alto índice é o Sertão, com 16% dos homicídios, espalhados por diversas cidades: Monte Alegre, Poço Redondo, Porto da Folha e Canindé do São Francisco. Na região Centro-Sul, o município de Lagarto concentra todas as ocorrências, a cidade é a terceira mais populosa de Sergipe, e nela aconteceram 9% dos casos.

Um duplo homicídio foi registrado na Avenida Percílio Andrade, no Bairro Bananeiras, município de Itabaiana/ Foto: Redes Sociais

Em Itabaiana, na região Agreste, em Nossa Senhora das Dores, na região do Médio Sertão, em Santa Luzia do Itanhy, no Sul e nos municípios de Siriri e Japaratuba, no Leste, ocorreram 6%.

A distribuição dos crimes por diversas regiões mostra que hoje não existe uma concentração apenas na capital.

Tipo de arma usada – 87% dos homicídios aconteceram com o uso de arma de fogo, 9% por arma branca e 4% teve como causa espancamento.

Mortes no Sertão – Dias após a execução do Capitão Oliveira, no dia 4 de abril, nas proximidades do município de Monte Alegre, no Sertão, ocorreram mortes na região. A SSP garantiu a época, que nenhuma delas teve relação com o crime de execução.

Vítima de homicídio no Conjunto Santa Lúcia em Aracaju/ Foto Redes Sociais

Confronto com a Polícia – Quatro jovens morreram em confronto com a polícia, três desses jovens estão relacionados a crimes ocorridos contra agentes da lei. Dois foram os assaltantes do ônibus em que foi baleado o PM cabo Horta e um foi o autor do assassinato do guarda municipal Paulo Sérgio, no mercado central de Aracaju, no dia 8 de abril.

Homofobia – Asfixia foi segundo o IML, a causa morte oficial da travesti Milany Spencer, registrada como Anderson Nepomuceno, o assassinato ocorreu no último domingo, 15, na cidade de Nossa Senhora do Socorro. É a segunda travesti morta com marcas de crueldade.

Em janeiro, a travesti Samira, registrada como Everton Santos, foi encontrada morta e amarrada em uma

Samira era travesti e foi assassinada em janeiro de 2018.

cerca no bairro Parque dos Faróis também em Nossa Senhora do Socorro.

Levantamento Nacional – A Unesco publica todos os anos o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência. A edição de 2017 teve como base os índices de violência de 2015. Segundo o relatório, Sergipe é o 5º estado onde jovens negros estão mais vulneráveis a serem vítimas de uma ação violenta, em comparação aos jovens brancos, além disso, é o 9º quando comparado o risco de homicídio com a condição social e o acesso de jovens à educação.

Ausência de Ação Integrada – O Governo de Sergipe não possui um projeto de integração entre a SSP e as secretarias da Educação, da Cultura e da Assistência Social.  Perdura a visão de que as políticas públicas de segurança envolvem apenas a repressão.

Posição – O Fan F1 solicitou a SSP-SE, um levantamento detalhado onde se apresente quais desses casos estão sendo investigados, quais já foram elucidados, quais as motivações e consequências dos crimes. A assessoria de comunicação da SSP, faz este levantamento junto com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e apresentará o resultado ainda esta semana.

Os números assustam e exigem uma resposta oficial da SSP mas também da sociedade. Se envolvidos com drogas ou não, os jovens mortos poderiam ter outro caminho, com mais oportunidades, contribuindo para o desenvolvimento de Sergipe e atingindo a realização social e pessoal enquanto seres humanos.