Por volta das 6h desta sexta-feira, 14, centenas de voluntários, amigos, familiares e ex-voluntários prestaram as últimas homenagens à Maria Ruth Wynne Cardoso, carinhosamente conhecida como Tia Ruth. O corpo da fundadora da Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos) foi levado da sede da instituição para a cidade de Salvador (BA), onde será cremado.

Foto: Fan F1

O velório foi inciado por volta das 14h dessa quinta-feira, 13 na sede da instituição. Durante toda a tarde e madrugada foi intenso o movimento de admiradores da mulher que estimulou o cuidado com o próximo, de forma prática. A todo instante, chegavam coroas de flores, de instituições, amigos e assistidos pela Avosos.

Tia Ruth, morreu na casa de uma das filhas, na manhã dessa quinta-feira, aos 89 anos, depois de sete meses de luta contra um câncer no estômago. A mulher que ajudou a milhares de pessoas no enfrentamento do câncer, não teve a própria vida poupada pela doença.

O diagnóstico da doença foi dado em fevereiro deste ano, mas Tia Ruth, sempre firme, afirmou que lutaria até o fim. “Se minhas crianças passaram por isso e suportaram eu também vou aprender a suportar”, disse ela.

Avosos

A instituição fundada por Tia Ruth, atende a mais de 30 anos, centenas de crianças e adolescentes com câncer. Atualmente são 150 voluntários e 450 assistidos.

Era uma quarta-feira do ano de 1982 e a Fundação Beneficência Hospital de Cirurgia foi o cenário para o início dessa linda história. Tia Ruth, dona de casa, morava perto ao hospital e resolveu dedicar parte de seu tempo na ajuda ao próximo. Tia Ruth passou a realizar constantes visitas aos pacientes internados no hospital e a Ala de Oncologia foi a que mais mexeu com seus sentimentos.

Foto: Avosos

Tia Ruth começou então a atuar neste setor, levando agasalhos, lanches e palavras de conforto e carinho. Desde então, alguns amigos forneceram, e fornecem, ajuda preciosa para que esta missão possa ser levada adiante. E quanto mais se trabalha em prol do próximo, mais necessidades são observadas. Os olhos atentos de Maria Ruth Wynne Cardoso viram mãezinhas, crianças e adolescentes do interior do Estado, e também de Estados vizinhos, dormindo em condições precárias, esperando um leito, passando fome, frio, nas calçadas do hospital esperando um transporte… Tia Ruth abriu as portas de sua casa para estas pessoas, que funcionou informalmente como a primeira casa de apoio do que se chamaria mais tarde de Avosos.