Para o secretário de Estado da Saúde, Almeida Lima, a contratação do imóvel onde funcionou o Mistão, na avenida Rio de Janeiro, por R$ 150 mil por mês, foi uma fórmula inteligente que encontrou para economizar gastos e modernizar a Saúde do Estado. O antigo lojão irá abrigar cinco unidades da Saúde e já começou a receber os primeiros serviços e adequação.

Em entrevista na manhã dessa terça-feira, 11, ao radialista George Magalhães, do Jornal da Fan, na Fan FM, o secretário respondeu aos questionamentos levantados pelo Deputado Georgeo Passos (PTC) sobre o valor do aluguel. O parlamentar participou do debate ao vivo e ressaltou que sentiu falta dos documentos comprobatórios relacionados às explicações dadas por Almeida. “Ele falou em economia de valores e na área de prédios, mas não comprovou, então, para mim, disse pouca coisa. Eu preciso para ter noção da economia, ver os documentos. As justificativas são plausíveis, mas ele terá que fornecer os documentos que solicitamos”, disse o deputado.

A polêmica – O contrato de locação do prédio para abrigar unidades administrativas da Saúde do Estado foi assinado no dia 1º de julho no valor de R$ 150 mil. Segundo Almeida Lima, esse foi a melhor opção após a busca feita para alugar um imóvel que pudesse colocar vários órgãos em um só prédio.

Ele disse ainda que o valor do aluguel ficou abaixo do que fora autorizado por dois órgãos que fizeram a avaliação – a Cehop e o Banese. “A Cehop avaliou e autorizou contratar por um valor superior a R$ 150
mil e o Banese avaliou em R$ 190 mil. Se eu contratei por 150 mil reais estou atendendo ao reclamo dos avaliadores”, explicou Almeida.

O deputado levantou a possibilidade de a Fundação Hospitalar de Saúde buscar uma linha de crédito junto ao Banese para a compra de um imóvel, destinando assim, os R$ 150 mil ao pagamento desse empréstimo para a aquisição do prédio. Almeida Lima rebateu, explicando que, juridicamente, a FHS não tem condições para realizar esse tipo de transação por estar e déficit financeiro.

Almeida Lima reafirmou que, ao alugar o prédio, desalugou outros cinco imóveis. “Estou deixando de pagar 240 mil reais para pagar apenas R$ 150 mil. Essa história de construir e imobilizar recursos é para quem teve muita poupança. Eu fui nomeado secretário de Saúde, então eu tenho é que imobilizar equipamentos e não obras. Enfim, tive que buscar uma fórmula inteligente para isso”, avaliou.

Ele assegurou que os recursos financeiros a serem empregados para adequar o espaço às novas necessidades foram poucos.“Peguei o prédio em ordem. Do ponto de vista de adequação, faremos praticamente nada” assegurou. No local, já estão sendo executados serviços de limpeza, recuperação das calçadas e a parte elétrica que precisará ser reforçada, demandando um pouco mais de recursos. O secretário não informou quanto será dispendido para a execução desses serviços.

Ele lembrou que não entender o porquê da polêmica em relação ao valor do aluguel. “Interessante esse debate. Esse é um imóvel de 30 mil m² com aluguel de R$ 150 mil. Já a gestão passada alugou um prédio por 120 mil por um imóvel de seis metros quadrados” citou.

Ambulância na cabeça – O secretário reagiu com ironia à sugestão feita por Agamenon Sobral. O ex-vereador entrou no ar para questionar o valor do aluguel e sugeriu que, ao invés do governo locar um prédio nesse valor, utilizasse a estrutura do antigo Hotel Palace. “George, me poupe! Agamenon, como posso fazer isso? Vou botar ambulâncias em sua cabeça? Onde vou botar as ambulâncias? Onde vou botar a frota do Samu? A oficina de equipamentos que eu tenho em Socorro. Vou colocar as ambulâncias do Samu onde? em sua cabeça?”, disse.

Projeto – Sobre o Projeto de lei votado recentemente na Assembleia Legislativa, que abre exceções para a aquisição de medicamentos e insumos ser feita diretamente pela Secretaria de Estado da Saúde, sem passar pela Secretaria de Estado de Planejamento, Almeida Lima explicou que visa apenas agilizar esse processo. “O projeto não trata da transferência de compras da Seplag para a Saúde. Estabeleceu-se uma exceção para que a SES passe a fazer compras apenas de medicamentos e insumos utilizados na atividade fim, como melhoral, anador, esparadrados. Caneta, papel, locação de veículos continua como sempre foi”, destacou.

Com relação à exceção da realização de obras pela SES, Almeida Lima esclareceu que são apenas para obras de pequeno porte, com valores inferiores a R$ 600 mil.
O texto do projeto Lei foi aprovado em 5 de julho deste ano e passou a lei 8.234 de 05/07/2017.

Foto: Arquivos da Fan FM