A cidade de Divina Pastora (SE), a 39km da capital, respira religiosidade. Ao longo do ano, o município de pouco mais de 5 mil habitantes, chega a atrair até 13 romarias e peregrinações em direção ao Santuário à Santa que dá nome à localidade. A maior de todas acontece no mês de outubro, reunindo cerca de 200 mil devotos. A programação da Semana Santa, no Santuário de Divina Pastora, uma igreja secular tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), começa na sexta-feira, 12.

Caminho dos peregrinos tem 10 km. Foto: Fan F1

O município de Divina Pastora fica na região do vale do Cotinguiba. A peregrinação rumo ao Santuário de Divina Pastora não é fácil. Precisa vencer um percurso de 10 km, entre a paróquia Nossa Senhora da Conceição, na cidade vizinha de Riachuelo, seguir a rodovia SE-160, a “Peregrino Padre Raimundo Cruz”, num trajeto íngreme feito a pé e, na maioria das vezes, descalço, até chegar à igreja, no alto da colina.

A maior peregrinação, segundo o padre Helelon Bezerra dos Anjos, que há 10 anos congrega na Paróquia de Divina Pastora, chega a atrair 200 mil peregrinos e romeiros e todos os anos acontece no terceiro domingo de outubro. A festa é totalmente religiosa, mas nem sempre foi assim.

Devoção à Nossa Senhora tem origem em Sevilha. Foto: Fan F1

História –  O padre conta que a devoção à Nossa Senhora de Divina Pastora vem de Sevilha, na Espanha, onde Nossa Senhora apareceu vestida de pastora ao frei Isidoro de Sevilha. Em Sergipe, começou com Dom Luciano Cabral Duarte, em 1958, mas ganhou força nos anos 70 com o padre Raimundo Cruz, que hoje dá nome ao Caminho dos Peregrinos, na SE-160.

Mas, segundo o padre, com o tempo o padre Raimundo Cruz se afastou da organização da festa, que acabou tomando uma grande proporção e perdendo o sentido religioso. “A peregrinação havia se tornado uma festa popular, com um verdadeiro comércio instalado, músicas profanas, vendas de bebidas alcoólicas e até de filmes pornôs. Havia perdido o norte religioso”, disse o Padre Helelon.

Padre Helelon, de Divina Pastora. Foto: Fan F1

Ele conta que, em dois anos, conscientizou a população que a festa à Divina Pastora, que teve a sua origem ligada a questões religiosa, com Dom Luciano e padre Raimundo Cruz, deveria continuar assim. Que não poderia servir a um comércio profano e lançou nesse período, junto com a prefeitura o slogan ‘Se vier à peregrinação, não beba; e se beber, não venha’. “Em 2011, a verdadeira peregrinação, apareceu”, relembra o padre emocionado que ano passado se despediu da paróquia. Ele virá este anos, para o Seminário Maior de Aracaju.

No ano seguinte, em 2012, a paróquia, foi elevada à Santuário e em 2014 a peregrinação ao santuário de Divina Pastora foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe.

Peregrinações no ano – Segundo o padre Helelon, a maioria da peregrinações acontecem a pé, apenas aquelas de menor porte formadas por pessoas idosas e deficientes seguem o trajeto de carro ou de ônibus.

Ele disse que tem duas peregrinações de médio porte programadas para maio. No primeiro domingo – da Legião de Maria , com 6 mil mulheres – e no 3º domingo – a do Terço dos Homens, que reunirá cerca de 10 mil homens em direção ao Santuário.

A fé, a devoção à Nossa Senhora de Divina Pastora e o pagamento de promessas é o movem os fieis rumo ao santuário, segundo a organizadora de uma peregrinação ocorrida mês passado, Adriana Lima.

Casal vende peças religiosas há vários anos. Foto: Fan F1

Mas, não é só a fé que motiva o casal Gilvan e Rosângela Barreto Santos irem à Praça do Cruzeiro, onde está localizado o Santuário, toda a vez que há peregrinação. Eles vendem camisas e outros produtos religiosos da “Terra da Fé” há muitos anos para reforçar o orçamento doméstico e garantem que são nessas pequenas romarias onde o lucro aparece mais. “Em outubro a concorrência é muito grande”, afirmou Gilvan.

Semana Santa –  A programação religiosa da Semana Santa começa nessa sexta-feira, 12, às 18h com a Via Sacra, saindo do povoado Bonfim, em direção ao Santuário. No domingo, 14, terá Missa de Ramos e procissão, abrindo a semana com missas. Na sexta-feira Santa, 19, não haverá missa, mas apenas a celebração da Paixão, às 19h. No sábado, missa da Vigília e no domingo, dia 21, Missa da Ressurreição.